Teresinha
24 de maio de 2017 às 02:05
Contratados a peso de ouro pela defesa, não menos cara e eficiente, de pessoas poderosas acusadas de crimes, como duplo homicídio que virou homicídio seguido de suicídio, por exemplo, alguns profissionais, peritos em desqualificar provas e laudos, experts quando o assunto é descontruir inquéritos, contestar o incontestável, vendem a alma ao diabo para provar por A + B que o seu cliente é inocente até a alma. E que o defunto é o culpado.
Os gênios da perícia – oficial ou não - conseguem transformar a inocente bolinha de papel arremessada por uma mão inconsequente na arma de grosso calibre, com alto poder de destruição, usada com manifesta intenção de matar a vítima.
É o que pretende agora a defesa de um acusado ilustre, apanhado em grampo feito por um falastrão exagerado, um fanfarrão bilionário às custas de informações privilegiadas e financiamentos de bancos oficiais, convidado pelo "mordomo" Loures com muita antecedência a entrar, a hora que quisesse, na casa que deveria ser a mais vigiada do país por receber visitantes nada republicanos, inclusive na calada da noite, como admitido pelo próprio dono do palácio.
A ordem é desqualificar a prova. Ganhar tempo até a orquestração de um novo ardil. A gravação clandestina, manipulada, adulterada, fraudulenta [palavras do grampeado], imprestável como prova, completamente esburacada [opinião do todo poderoso senhor da razão pericial] é pouco para botar o chefe na maior saia justa. E de quebra, cassar o mandato de uma meia dúzia entre os quase 2 mil políticos que receberam "ajudinha de campanha" no "caixotão 2" do fanfarrão.
Mas há perguntas que nem Badan consegue calar. Foi falastrão foi quem definiu - na conversa também grampeada com o assessor flagrado pela Polícia Federal correndo com um mala com R$ 500 mil da Pizzaria para o taxi - a data: uma terça-feira; a hora: 23h, e o local: Jaburu, onde aconteceria a sessão de lamúrias? E a agenda oficial, que é lei?
O fanfarrão não podia ir na quarta porque tinha um jantar mais importante que negociar o silêncio dos inocentes. Silêncio comprado pela bagatela de R$ 2 milhões por mês, durante 20 anos. Zerei tudo... Tem que manter isso, viu!
São tantas emoções, diria o rei. E tantas interrogações...completariam os brasileiros incrédulos com tanta cretinice.
Não caracterizaria obstrução da Justiça compactuar com a comprar juízes e até procuradores da República, encarregados justamente de investigar a praga da corrupção que contaminou o Brasil e desviou bilhões, trilhões de reais até dos cofres públicos?
A gravação é imprestável, cheia de buracos? Ótimo, ótimo. Ninguém calou delator, ninguém “segurou” o titular e o substituto. Ótimo, ótimo. Melhor ainda: nada acontece em Brasília. Trilhões de reais são desviados e ninguém viu nada, nem PGR, nem TCU, ninguém. Ótimo, ótimo.
Como bem disse o fanfarrão, não tem nenhum remédio melhor do que as coisas irem bem, né?... financeiramente. Todo mundo acalma. Tem que manter isso, viu?! Ótimo, ótimo.
A tropa forense tenta provar que boi deitado é vaca. Mas não consegue responder uma questão primária: cadê a mala?