As discussões sobre o abastecimento de água no Piauí e os problemas enfrentados pela Agespisa têm sido recorrentes na sociedade. E a população não é a única a se sentir prejudicada pelas dificuldades da empresa estatal. Representantes do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Teresina (SINDUSCON) se reuniram durante toda a semana passada com representantes do Governo do Estado, Prefeitura de Teresina, presidência e representantes dos trabalhadores da Agespisa para discutir a situação da empresa e encontrar alternativas para solucionar os problemas.
Os empresários da construção civil reclamam da falta de infraestrutura nos setores de energia e abastecimento de água que impedem a execução de novos empreendimentos na capital.
Segundo o SINDUSCON, a Agespisa está à beira de um colapso, com uma renda deficitária de R$ 4 milhões ao mês, uma dívida acumulada de R$ 1,1 bilhão e ainda com sua sede hipotecada a três credores. “Toda a população do Piauí está enfrentando problemas com o abastecimento de água.
E nós, da indústria, não ficamos atrás. Não conseguimos investir no Estado ou na capital com estes problemas. Construir novas casas, mesmo dentro dos programas habitacionais, está ficando quase impossível. Se não tem água, as pessoas não querem morar”, explica o presidente do SINDUSCON Teresina, André Baia.
Atualmente, a Agespisa está impedida de contrair novos empréstimos e, dessa forma, sem capacidade de investimentos no Piauí. Durante as reuniões, os diretores do SINDUSCON discutiram as dificuldades da estatal e também sugeriram algumas ideias para tentar solucionar os problemas da Agespisa.
“A curto prazo, em função do colapso eminente do sistema, o SINDUSCON defende a subdelegação. A iniciativa privada é historicamente mais ágil, as tarifas cobradas aos consumidores serão as mesmas da AGESPISA, os funcionários terão seus empregos preservados e o estado continua com o patrimônio, pois será apenas delegado e não vendido o direito de exploração.
A médio prazo, sugerimos um trabalho forte do Governo do Piauí, ao lado de outros Estados, na tentativa de garantir o refinanciamento das dívidas da Agespisa. Atualmente, 80% das dívidas da estatal é de Impostos Federais. E esta realidade não é só dela, mas também de outras concessionárias de água. Por isso, a importância de um trabalho conjunto entre os Estados junto ao Governo Federal”, defendeu o presidente do SINDUSCON, André Baía.