SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE
Dulce Luz
13 de fevereiro de 2026 às 14:30
O período de carnaval acende um sinal de alerta para a proteção de crianças e adolescentes. Além dos riscos nas grandes aglomerações, autoridades chamam a atenção para a exposição nas redes sociais e para o aumento de situações de vulnerabilidade durante a festa. Segundo a organização ChildFund no Brasil, esse é um período em que há crescimento de violações de direitos. Dados do Disque 100, canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, registraram mais de 26 mil denúncias de violações ou crimes contra crianças e adolescentes durante o carnaval de 2024, um aumento de 38% em relação ao ano anterior.

Em Teresina, o delegado Hugo de Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), reforça a preocupação com o excesso de exposição nas redes sociais. Segundo ele, o carnaval é uma festa culturalmente marcada por maior liberdade e, muitas vezes, por conteúdos mais provocativos, o que pode favorecer comportamentos de adultização precoce.

“Atualmente, as redes sociais trazem uma série de novos riscos às crianças e aos adolescentes, principalmente com a divulgação de imagens em contextos que podem chamar a atenção de indivíduos mal-intencionados. No carnaval, essa atenção precisa ser reforçada”, afirma o delegado. Ele orienta que os pais mantenham controle mais rigoroso sobre o que os filhos publicam e com quem interagem no ambiente digital.

O conselheiro tutelar de Teresina Ivan Cabral também destaca a importância da presença constante de pais ou responsáveis durante a folia. “Nada de deixar criança desacompanhada em bloco ou sozinha em casa para sair para curtir. É fundamental que estejam sempre com um adulto responsável”, orienta.
Segundo ele, é recomendável evitar que crianças permaneçam no meio de grandes blocos, onde há consumo de bebidas alcoólicas e grande movimentação de pessoas. Cabral lembra ainda que a venda e o fornecimento de bebida alcoólica a menores de 18 anos configuram crime, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

O presidente da fundação ChildFund Maurício Cunha, destacou que parte significativa das ocorrências registradas no Carnaval está relacionada à violência sexual, exploração e desaparecimento em meio a grandes aglomerações. Ele também alertou para os riscos no ambiente digital. Pesquisa da fundação com mais de 8 mil adolescentes apontou que 54% já sofreram algum tipo de violência sexual online. A recomendação é que famílias evitem postar fotos e vídeos de crianças nas redes sociais, especialmente com localização ativada, e reforcem o uso de ferramentas de segurança e controle parental.
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que é dever da família, da sociedade e do poder público assegurar, com prioridade absoluta, os direitos de crianças e adolescentes. As autoridades reforçam que qualquer suspeita de violação, como trabalho infantil, exploração sexual, abandono ou desaparecimento, deve ser denunciada imediatamente.

As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia, ou acionando a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Guarda Municipal ou o Conselho Tutelar. A orientação é que, na dúvida, a denúncia seja realizada. A proteção da infância, destacam especialistas, depende de vigilância constante e ação rápida diante de qualquer sinal de risco.
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