O Ministério Público Federal cancelou a palestra sobre “ética empresarial e compliance” que o presidente da Siemens, engenheiro Paulo Stark, iria realizar sexta-feira na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília. O recuo se deu em meio a uma sucessão de manifestações contrárias de procuradores que protestaram contra o convite ao empresário porque a Siemens protagoniza escândalo do cartel metroferroviário – seis ex-executivos da multinacional alemã e a própria Siemens fecharam acordo de leniência para revelar fraudes em licitações do setor.
O convite a Stark fora feito pelo subprocurador-geral da República Antônio Fonseca, coordenador da 3.ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, unidade que se dedica ao consumidor e à ordem econômica. A palestra seria a portas fechadas para o público e imprensa. Até a rede alemã Deutsche Welle (DW) divulgou reportagem sobre o descontentamento e “mal-estar” entre procuradores.
Ontem, Fonseca divulgou “nota de esclarecimento” no site da PGR, assumindo responsabilidade pelo convite, mas o “adiamento” da fala de Stark só informou para o público interno. “O convite foi para falar sobre a política privada de incentivo à delação, conhecida como “ética e compliance”, adotada pela empresa (Siemens) em 2007, aplicada para frente e para trás, no mundo todo. Graças a essa política foi possível abrir processo contra o chamado cartel do metrô de São Paulo.”