Teresinha
22 de junho de 2017 às 21:06
O drama dos pacientes com câncer, que buscam atendimento e tratamento da doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em hospitais públicos e privados no Piauí parece que, finalmente, chamou a atenção dos políticos.
Depois da Assembleia Legislativa, que realiza uma audiência pública na quarta-feira (28) para debater o tema, a Câmara Municipal de Teresina resolveu, afinal, entrar no debate. Os vereadores vão convocar a Prefeitura para explicar os motivos da suspensão desses atendimentos por vários hospitais privados da capital.
Ontem (21), uma comissão de deputados estaduais foi ao Hospital São Marcos, no Polo de Saúde de Teresina, para saber dos motivos que levaram o hospital a suspender os atendimentos de baixa e médica complexidade de pacientes com câncer.
Referência em Oncologia na capital e responsável pelo atendimento de mais de 85% desses pacientes, o Hospital São Marcos pode fechar as postas por causa do rombo no orçamento provocado, principalmente, pelos atendimentos pagos pelo SUS, cuja tabela foi corrigida em 1996. São cerca de R$ 15 milhões de prejuízos todos os anos, ou R$ 1,3 milhão por mês.
Câmara
O vereador Dr. Lázaro (PPS), presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, vai ouvir o presidente da Fundação Municipal de Saúde, médico Sílvio Mendes, para evitar a suspensão do atendimento aos pacientes no São Marcos.
“Quem entende a complexidade de um tratamento de câncer sabe que não importa se a complicação é leve ou grave, ela pode evoluir e se tornar grave em horas. Se o paciente não tem acesso ao hospital de origem, a situação fica muito delicada. Isso é criminoso e não pode acontecer”, adverte. “Vamos nos reunir com Sílvio Mendes. Queremos saber se isso é legal. Se isso não for permitido, o hospital terá que revê essa posição”, avisa.
O vereador Edilberto Borges, o Dudu (PT) acionou o Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira (22) solicitando providências.
“Pelo andar da carruagem, pela ‘blindagem’ que a Câmara faz ao gestor [Sílvio Mendes], estamos encontrando dificuldade de, legislativamente, ter o caminho para uma solução. Um desses caminhos foi o Ministério Público Federal, já que se trata de verba federal, para que possa solicitar uma audiência pública com esses órgãos que tratam da saúde”, justificou Dudu.