Carlinhos Cachoeira, durante depoimento na CPI do Congresso
Com um patrimônio que somam R$ 167 milhões construídos com a contravenção apreendidos e sequestrados pelo Justiça Federal a pedido do Ministério Público Federal, Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira, poderá cumprir apenas 15 dos 30 anos pedidos pelo MPF, caso seja condenado na justiça.
A informação foi do procurador da República Daniel Rezende Salgado, que afirmou que, caso Cachoeira seja condenado, há a possibilidade de cumprir apenas parte da pena, do que foi pedido pelo MPF. O procurador é um dos responsáveis pela denúncia contra o grupo comandado pelo Cachoeira.
Daniel Rezende afirmou ainda, que caso o empresário seja condenado a uma pena superior a 30 anos, essa pena seria unificada para 30 anos e todos os benefícios seriam aplicados em cima da pena. ”Temos hoje um decreto editado anualmente pela Presidência da República que se a pessoa cumprir uma pena de 15 anos ininterruptamente, ela seria indultada”, explicou o procurador em depoimento à CPI do Cachoeira.
Segundo Salgado, a Procuradoria denunciou a organização criminosa de Cachoeira por 22 crimes, entre eles, formação de quadrilha, corrupção ativa e quebra de sigilo e o empresário foi denunciado por 17 crimes.
O procurador explicou que o benefício só poderia ser negado caso Carlinhos Cachoeira seja acusado de algum crime hediondo, o que não é o caso. “A principal dificuldade é executar de forma efetiva a pena que poderia ser aplicada”, afirmou.
Bens
Daniel Rezezende Salgado disse que os bens apreendidos e sequestrados dos membros do grupo de Carlinhos Cachoeira pela Justiça Federal somam R$ 167 milhões. Para construir este patrimônio, além das jogatinas e das máquinas caça-niquéis, o esquema de Carlinhos Cachoeira se infiltrou nas prefeituras e governo de estado para conseguir contratos de forma fraudulenta, utilizando de empresas fantasmas ou laranjas.
Com a Construtora Delta nacional, comandada na época por Fernando Cavendish, e na região centro-oeste e norte, por Cláudio Abreu, as empresas ligadas ao grupo de Cachoeira, receberam mais de R$ 410 milhões, que foram distribuídos entre os integrantes do grupo, além dos políticos e funcionários públicos que facilitavam os contratos de serviços para o grupo.
Atém mesmo no Tocantins, o grupo atuou de forma milionária fazendo contrato com a prefeitura de Palmas, na administração de Raul Filho (PT) e também do estado, com os ex-governadores Marcelo Miranda (PMDB), Carlos Henrique Gaguim (PMDB) e até mesmo, do governador Siqueira Campos, com envolvimento do seu filho e hoje secretário de Relações Institucionais , Eduardo Siqueira Campos. Só no Tocantins, a Delta empresas de Rossini Aires Guimarães ligada ao grupo do Cachoeira faturaram mais de R$ 230 milhões.
O procurador afirmou que o Ministério Público Federal (MPF) está atuando para manter os bens, pois já há questionamentos na Justiça sobre a decisão. Segundo ele, uma forma de manter o patrimônio sequestrado seria avançar na investigação sobre lavagem de dinheiro.
“Nós precisamos desenvolver de forma mais célere algumas investigações para que possamos oferecer logo as denúncias e o patrimônio possa ser mantido apreendido. Temos que ver se conseguimos agilizar, especialmente na parte de lavagem de dinheiro, e a partir daí temos mais chance para que aquele patrimônio seja mantido pelos tribunais superiores”, declarou.