Em estudo, babuíno conseguiu identificar mais de 300 palavras
Babuínos não podem ler, mas conseguem aprender a identificar uma palavra de uma mera sequência de letras sem sentido. Foi o que descobriu uma equipe de pesquisadores franceses ao treinar babuínos por um mês e meio a discriminar dezenas de palavras de quatro letras entre mais de sete mil dessas sequências. A descoberta vai contra uma teoria antiga de que a habilidade de reconhecer palavras está relacionada com a linguagem.
“Babuínos conseguem reconhecer palavras, pois adaptaram a habilidade que já têm de identificar objetos para identificar a sequência das letras”, disse ao iG Jonathan Grainger, da Universidade de Marselha, na França, e autor do estudo publicado esta semana no periódico científico Science.
Para chegar a este placares, animais foram treinados a entender o que era uma palavra (em inglês) e o que era uma sequência aleatória de letras, com estímulos distintos para cada uma.
Enquanto isto era feito, os animais memorizavam as palavras que eles tinham aprendido e a responder corretamente quando estas palavras aparecessem novamente em telas sensíveis ao toque, usadas no experimento. “Eles também aprenderam que algumas combinações de letras apareciam com mais frequência em palavras que em não-palavras”, disse.
Em cada prova, os pesquisadores mostravam uma palavra e uma não-palavra apareciam na tela sensível ao toque, o babuíno deveria tocar na bolinha para indicar que era uma palavra, ou na cruz, indicando que não era uma palavra. Os animais ganham um alimento de recompensa após cada resposta correta. Um dos babuínos conseguiu aprender mais de 300 palavras de quatro letras. “Isto é muito!”, comemorou Grainger.
Grainger destaca que o que os babuínos fizeram não é exatamente ler. “é apenas o primeiro estágio de um processo muito complexo que é a leitura. Estudos futuros podem ir além nesta complexidade e ensinar os animais a associar palavras com significados, por exemplo”, disse.
O estudo francês fez a experiência usando palavras do inglês, formadas por quatro letras. De acordo com os pesquisadores, a escolha do idioma está no fato de ele ser a língua usada pelos cientistas de maneira praticamente universal. “Foi uma decisão arbitrária. Mas ok, admito: nós não quisemos correr o risco de que nossos babuínos aprendessem um pouco de francês!”, disse, em tom de brincadeira.