Teresinha
15 de junho de 2018 às 12:06
Você lembra da sua infância? E de quando ia aos aniversários? Servem os docinhos no final da festa e a criança, muito esperta, esconde, nos bolsos da bermuda ou na bolsa da mãe, as guloseimas que recebe. E retorna para a fila querendo mais. Por pura gulodice. É exatamente isso que acontece com os governistas. Tem gente gulosa na base aliada, com a cabeça em 2022, esquecendo o principal: vencer em 2018.
Antes de brigar pelas vagas majoritárias, de pensar em ratear os cargos no Executivo ou coisas do tipo, é preciso ganhar as eleições deste ano. Senão, adeus governo, “babau” vice.
O MDB insiste, desde o ano passado, na indicação do nome do vice-governador na chapa encabeçada pelo PT do governador Wellington Dias. Outros partidos também postulam essa indicação. O Progressistas botou o pé na parede e também briga para manter a atual vice-governadora Margarete Coelho como candidata à reeleição.
Segundo rumores que circularam forte na quarta-feira (13), o PT já estaria articulando o nome de Regina Sousa como candidata a vice. Como aconteceu em 2014, quando Wellington Dias deixou o Senado para se candidatar a governador e Regina Sousa se fez senadora da República, Regina herdaria o Palácio de Karnak, com Wellington voltando a disputar o Senado nas eleições de 2022.
É justamente isso que está em jogo: quem vai assumir o governo em 2022, com a saída de Wellington Dias para concorrer ao Senado. Por isso, o Piauí vem acompanhando, há mais de seis meses, essa “briga de foice no escuro” pela indicação do vice.
O vice
Toda essa polêmica nos remete a 1994. Naquela eleição, o candidato do PFL, Átila Lira, era franco favorito em todas as pesquisas, com mais de 60% das intenções de votos segundo o IBOPE. E perdeu.
Um ilustre desconhecido da grande maioria dos piauienses queria ser indicado a vice de Átila Lira, mas uma reunião do PDS na vice-governadoria, por trás do Karnak, presidida pelo senador Lucídio Portela, suplantou o sonho do ex-prefeito de Parnaíba, Francisco de Assis de Moraes Souza, o Mão Santa. Marcelo Coelho, afilhado político de Lucídio, foi o indicado.
Mão Santa deixou o recinto e saiu do PDS, ingressou no MDB e se candidatou a governador. Apesar de eleger dois senadores, uma penca de deputados federais e mais de 20 deputados estaduais, o esquema governista não conseguiu fazer Átila Lira governador. Lira obteve 378.947 votos contra 316.200 de Mão Santa. O dissidente acabou eleito com 615.945 votos. Átila Lira perdeu com 487.635 votos.
Pensar no amanhã, sem encarar o hoje, é suicídio. E qualquer semelhança entre passado e presente não é mera coincidência.