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Alimentação no Brasil: ricos gastam 165% a mais que famílias pobres

A renda interfere diretamente nas condições de acesso e até mesmo de qualidade dos alimentos consumidos pela população brasileira

Teresinha

30 de novembro de 2020 às 11:53


Alimentos
Alimentos

De acordo com um estudo sobre a Cadeia de Alimentos, feito pelo economista Walter Belik, em parceria com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e apoio do Instituto Ibirapitanga e do Instituto Clima e Sociedade, no Brasil, o gasto das famílias mais ricas com a alimentação é 165,5% maior do que a renda total de famílias mais pobres.

Além desse montante, o levantamento também mostrou que o valor desembolsado por essas famílias para a compra de alimentos representa somente 5% do orçamento, enquanto as pessoas mais pobres destinam mais de um quarto (26%) do que ganham para garantir a alimentação da família, muitas vezes valendo-se de soluções financeiras, como empréstimo consignado, como é o caso de idosos que são verdadeiros alicerces financeiros de famílias inteiras.

É importante destacar que o estudo usou os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-18), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como base, e as  informações também foram cruzadas com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Ainda conforme o relatório, o total gasto com alimentação, em todo o país, entre os anos de 2017 e 2018, foi de R$ 45,4 bilhões mensais, sendo que as famílias com renda de até seis salários mínimos responderam por mais da metade desse valor (54%). As famílias que compõem essa faixa salarial representam 71% da população, significando que apenas 29% das famílias concentram 65% da renda e 46% das despesas com produtos alimentícios.

De fato, a renda interfere diretamente nas condições de acesso e até mesmo de qualidade dos alimentos consumidos pela população brasileira. Como as famílias mais ricas gastam mais com comida e possuem renda maior, elas acabam sendo alvo de maior interesse da indústria alimentícia.

Por último, é importante destacar que apenas dez produtos concentram mais de 45% do consumo alimentar no Brasil: arroz, feijão, pão francês, carne bovina, frango, banana, leite, refrigerantes, cervejas e açúcar cristal. A dieta, portanto, é homogênea em todo o território nacional, mas esse cenário está longe do ideal, que é a variedade de fontes de nutrientes no prato.

Fonte: Carolina Glogovchan



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