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Afinal, quem deu o furo sobre a morte de Eduardo Campos

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Teresinha

16 de agosto de 2014 às 01:08


 Desde a manhã de quarta-feira, 13, um tema tem sido destacado pela imprensa de todo país. Trata-se do acidente aéreo em Santos, cidade do litoral paulista, que provocou a morte das sete pessoas a bordo: três jornalistas, piloto, copiloto, assessor político e o presidenciável Eduardo Campos (PSB). Com o candidato à presidência da República entre as vítimas, os veículos de comunicação enviaram equipes de reportagens ao local da queda do jatinho para levar ao público as informações do caso. Alguns se apressaram em cravar, em primeira mão, o falecimento do socialista, enquanto outros não arriscaram e “seguraram” a informação por mais tempo.

Site editado pelo jornalista Leonardo Attuch, o Brasil 247 chegou a publicar matéria nesta quinta, 14, ressaltando ter sido o primeiro veículo de comunicação a publicar informações sobre a morte de Campos. “Eram 12h01 desta quarta-feira, quando o 247 cravou, em sua manchete, que Eduardo Campos estava no fatídico voo do Rio de Janeiro ao Guarujá; diversos veículos relutaram em confirmar a informação, o que só foi feito pela CBN, da Globo, às 12h30, e pelo portal Uol, do grupo Folha, às 12h42”, afirma o texto da página, ao enfatizar que a informação chegou ao diretor de redação Marco Damiani, ao editor da sucursal do Recife, Paulo Emílio, e ao colunista Lula Miranda.

COMUNIQUE-SE PERGUNTA

>>A a cobertura da morte de Eduardo Campos mostra que a imprensa, de forma geral, acaba sendo inocente em trabalhos desse tipo, dando vez a informações desencontradas e fontes que, aparentemente, não têm como comprovar seus relatos?


>>Na intenção de acompanhar a velocidade de informações - e boatos - que circulam nas redes sociais, veículos de comunicação estão dando prioridade para a agilidade da notícia e, assim, deixando de lado a apuração bem feita?

>>No caso do acidente aéreo, muitos demoraram em afirmar que o presidenciável tinha falecido. Ao contrário da pergunta acima, essa atitude evidencia a preocupação em lidar com os fatos e de que é melhor ser "furado" se for para passar a informação mais completa possível?

>>Para você, leitor, realmente importa saber que determinado site/emissora noticiou algo minutos antes de seus demais concorrentes?



Diferentemente do 247 - que revelou ter “assumido um risco editorial, mas um risco calculado” ao noticiar a morte do ex-governador de Pernambuco -, outros sites preferiram, num primeiro momento, anunciar que o presidenciável poderia estar entre as vítimas, como fez a versão online da Exame em reportagem afirmando que a equipe de campanha estava, até então, “preocupada” com a falta de contato com o político. O texto foi assinado por Marina Pinhoni e Beatriz Souza, no qual o horário de publicação marca 11h51 de terça. Apesar disso, a matéria replica o post divulgado pelo perfil da Reuters no Twitter. No microblog, às 12h18, a agência internacional não falava em mortes, mas afirmava que Campos viajava na aeronave que caiu.

“Risco editorial” que, assim como o portal mantido pela Editora Abril, não foi adotado pela equipe comandada por Sidney Rezende. Em sua conta oficial no Facebook, o jornalista, criador e diretor do site SRZD, revelou que poderia ter divulgado a informação sobre a morte, pois foi abordado por dois empresários que estavam no mesmo evento que ele em São Paulo. “Fiz algumas ligações. Eu não tinha elementos para confirmar. Minhas fontes diziam que era possível, mas ninguém queria cravar o desfecho da tragédia. E, até aquele primeiro momento, tínhamos apenas a notícia da queda de um jato em Santos. E a possibilidade de que, de fato, a morte de Eduardo não estaria descartada”.

Furo X Barriga
Antes de ser ventilada a informação de que Eduardo Campos era um dos passageiros do jato que caiu, parte da imprensa cometeu erro ao querer dar o “furo” sobre o acidente (possíveis vítimas e causas). Chegou-se a afirmar que o caso envolveria um helicóptero. Momento depois, outra “barriga” (como os equívocos são conhecidos no meio jornalístico) foi veiculada: a de que, além do candidato a presidente, a mulher dele e seu filho mais novo, de apenas seis meses, também estavam a bordo. Ao vivo pela Band, José Luiz Datena garantiu que o mais triste da história era “a morte de uma família”, mas foi corrigido, em seguida, pela apresentadora Ticiana Villas Boas, que disse que a mulher e o filho de Campos já estavam no Recife.

Ainda na terça, mas já com a confirmação da morte do presidenciável, a TV Globo levou ao ar no ‘Jornal Hoje’ uma suposta - e curiosa - testemunha do acidente. Ao participar ao vivo do telejornal, um rapaz que se definiu como estivador (profissional que trabalha com cargas de navio) do Porto de Santos contou, ao ser questionado pelo repórter José Roberto Burnier, que teve acesso aos escombros, reconheceu o corpo do socialista e chegou a abrir os olhos “verdes/azuis” dele. O entrevistado ainda esboçou um choro ao dizer que o integrante do PSB era o seu candidato. Depois, peritos afirmaram que, pela situação do acidente (que provocou explosão), era impossível reconhecer os corpos das vítimas.

Fonte: comunique-se



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