Teresinha
29 de agosto de 2017 às 20:08
Li a postagem de um companheiro de batente, na tarde desta terça-feira, 29 de agosto de 2017, no Facebook, sobre a falta de ética de alguns assessores de imprensa. E lá estava o seguinte comentário: "nas mãos de petistas, os sindicatos dos jornalistas não apuram a falta de ética da grande maioria dos profissionais prostitutas que trabalham pelas redondezas", escreveu um senhor... sei lá quem.
Nada contra ninguém, nem quem pensa o contrário. Mas essa é uma polêmica que se arrasta há décadas. Tanto que muita gente da ACADEMIA, inclusive com diploma de JORNALISMO e até de outros cursos e departamentos superiores, continua preconceituosa em relação a quem faz assessoria.
Entendo que a discussão deveria ser melhor colocada e com mais profundidade para não aparecerem os oportunistas, que não sabem da reza um terço, mas se acham entendidos o suficiente para emitir opiniões sem qualquer conhecimento de causa, atacando a dignidade alheia com adjetivos.
Quantos profissionais se veem obrigados à dupla jornada [às vezes tripla] para sustentar suas famílias? Culpa deles? Não. Não temos qualquer responsabilidade, queremos sobreviver com o suor do nosso rosto, como os nossos pais e antepassados.
A jornada excessiva de trabalho não é culpa nossa, mas de um mercado que privilegia, premia quem bajula, quem se curva ao julgo do patrão, quem "faz parte do esquema", do tomaládacá.
Culpa também de um sindicato que já serviu até para abrigar jornalistas que temiam serem colocados no olho da rua pela empresa onde trabalhavam. E se escondiam atrás da imunidade sindical.
Infelizmente, o Sindicato, do qual também fiz parte e por isso assumo culpa nessa história, nunca teve a força necessária para enfrentar a classe patronal, para brigar por bandeiras que deveriam ser prioridade, como a implantação do QUADRO DE JORNALISTAS DO ESTADO, DA PREFEITURA DE TERESINA e dos demais municípios; o cumprimento do piso salarial da categoria - uma ESMOLA - que não é pago pela grande maioria dos veículos de Comunicação no Piauí.
Enfim, existem questões mais relevantes que a ética das "prostitutas". Chagas continuam abertas e deveriam estar na pauta para debate, não aqui (no Faceboook, onde originalmente postei esse artigo numa reação ao que li), mas nas instâncias legais, como a exploração de estagiários e treineiros pelos donos de empresas de Comunicação. Sem que ninguém se manifeste.
Cobrar ética de quem é explorado, humilhado, mas tem que sobreviver, é mais fácil que admitir que erramos todos quando aceitamos calados a falta de vergonha instalada no país desde Cabral - e aqui no Piauí não é diferente -. onde os donos do poder [privado e público] bancam a mídia - e pagam bem - para continuarem se perpetuando, roubando, enriquecendo... a si próprio e a suas crias.