Torcida do Palmeiras invadiu um setor reservado para a torcida do Flamengo.
A Procuradoria Geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva vai denunciar Flamengo e Palmeiras até a próxima quarta-feira pela confusão entre os torcedores das duas equipes durante o intervalo da partida do último domingo, em Brasília.
O Procurador-Geral do STJD, Paulo Schmiitt solicitou as imagens do confronto e também analisa outras provas para a denúncia responsabilizando os dois clubes pela desordem e por não garantir a segurança do local da partida. Com a confirmação da denúncia, Flamengo e Palmeiras podem perder de um a dez mandos de campo, além de ter que pagar uma multa, que varia de R$ 100 a R$ 100 mil.
Flamengo e Palmeiras vão ser indiciados nos artigos 211 e 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O primeiro implica em "deixar de manter o local que tenha indicado para realização do evento com infraestrutura necessária a assegurar plena garantia e segurança para sua realização". A pena revertida em multa pode variar de R$ 100 a R$ 100 mil, e o Mané Garrincha pode ser interditado, até a satisfação das exigências que constem da decisão.
O artigo 213 também visa multa de R$100 a R$ 100 mil, quando o clube não tomou as providências necessárias para garantir e reprimir desordens no local da partida, invasão de campo ou até mesmo o lançamento de objetos no gramado. Nesse caso, além da multa, os clubes podem ser punidos com a perda de um a dez mandos de campos.
A Procuradoria também vai entrar com um requerimento pedindo a interdição do Mané Garrincha e a aplicação de outro artigo, o 64, que as partidas correspondentes à pena de perda de mando de campo poderão ser realizadas, por determinação do STJD, no mesmo estádio em que o clube manda seus jogos com portões fechados ao público, vedada a venda de ingressos. Procuradoria do STJD sugere medida contra torcidas organizadas
Com outro caso de violência no futebol, a Procuradoria do STJD elaborou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o objetivo de firmar um compromisso dos clubes para prevenir a segurança nos estádios. A principal medida do termo seria acabar com os benefícios das torcidas organizadas, além de auxiliar na identificação e responsabilização dos infratores. A iniciativa já foi aderida pela Federação Pernambucana e clubes como Náutico e Santa Cruz.
Quadrilhas organizadas
O jogo entre Flamengo e Palmeiras pela série A do Campeonato Brasileiro, no domingo (5), no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha acabou em confusão. Foram vários relatos de brigas durante o intervalo e também após a partida. "Várias confusões entre torcidas organizadas na parte interna e externa do estádio. O Batalhão de Choque da PM foi acionado muitas vezes", afirmou Michello Bueno, porta-voz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Ainda, de acordo com ele, houve briga generalizada e forte.
Cerca de 30 torcedores do Palmeiras envolvidos em uma das nas brigas foram conduzidos à 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) e serão autuados. Segundo a PMDF, eles espancaram um homem que foi levado ao Hospital de Base em estado grave.
A primeira confusão teve início quando o placar entre os times ainda estava em 1 x 1 (a partida terminou em 2 x 1 para o Palmeiras). Torcedores dos dois times relataram uma confusão nos corredores de bares.
De acordo com informações de testemunhas, a briga teria acontecido entre os torcedores da Mancha Alviverde (antiga Mancha Verde banida pelo Ministério Público de São Paulo), do Palmeiras, e da Torcida Jovem do Flamengo no intervalo da partida no Mané Garrincha. "Eu estava na fila para pegar água e aconteceu um tumulto. Estavam tacando lixeira no pessoal da fila, jogaram garrafa de água. Queriam bater, até que os policiais foram conter. Muitas crianças passaram mal por conta do gás liberado pela polícia", afirma estudante José Iank, torcedor do Flamengo que presenciou uma das confusões.
A PM informou que cerca de 30 torcedores da organizada do Palmeiras pularam uma cerca, passaram pela parte externa e foram até a torcida rival, localizada na arquibancada superior. Eles chegaram a ser parados pelos seguranças que não conseguiram conter a torcida. De acordo com a PM, a maior parte deles estava com o rosto tampado com camisetas. Houve um confronto entre vários torcedores. Destes, dois ficaram gravemente feridos, chegaram a ser atendidos pelo Corpo de Bombeiros e depois foram conduzidos de ambulância para o Hospital de Base. O local ficou totalmente destruído depois da confusão.
A polícia usou gás de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar e tentar conter a pancadaria. O gás se espalhou e jogadores e outros torcedores, principalmente crianças, passaram mal, o que atrasou o recomeço do segundo tempo da partida. Nas redes sociais surgiram vários relatos também sobre o quebra-quebra.
"O efetivo empregado no jogo foi suficiente. Claro que algumas pessoas ficaram insatisfeitas com o resultado da partida e se exaltaram. Mas elas foram contidas pela força policial e está tudo em ordem", afirmou o Coronel Nunes, da PMDF, durante coletiva sobre a desocupação do Torre Palace Hotel.