Esportes

Isinbayeva diz que perdoa banimento e afirma que sempre foi limpa

Eleita para integrar o Comitê Olímpico Internacional

Teresinha

19 de agosto de 2016 às 16:08


Isinbayeva
Isinbayeva

A saltadora Yelena Isinbayeva, um dos maiores nomes da história do salto com vara, concedeu entrevista nesta sexta-feira (19) após ser eleita para integrar o Comitê Olímpico Internacional. E, como não poderia deixar de ser, um dos primeiros temas abordados pela atleta na entrevista foi o veto imposto pela Federação Internacional de Atletismo a atletas que já tivessem sido flagrados em exames antidoping, impedindo a participação deles nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A atleta, que havia sido bem crítica em relação à federação, adotou uma postura mais comedida ao analisar a situação, mas não deixou de mostrar sua insatisfação. 

"Antes eu disse que não iria perdoar a Iaaf pelo que fez comigo e meus colegas russos. Mas eu mudei minha ideia. Eu vou perdoar e deixar que sejam julgados por Deus. Eu sempre fui limpa, e tenho certeza que vocês nunca duvidaram disso. Mas estou aqui falando com vocês e não me preparando para a final porque a Iaaf não permitiu. Perdoo (Sebastian) Coe por esta injustiça e perdoo o Comitê Executivo., especialmente se eles acreditam que é justo (me tirar dos Jogos). Deixo esta decisão na conta deles. Deus será quem os julgará", declarou Isinbayeva.

Ainda segundo a atleta, o fato de ter sido escolhida para integrar a comissão do COI reitera a honestidade de sua carreira ao longo dos anos.

"Ontem fui eleita para a comissão de atletas do COI e isso demonstra que atletas de todo o mundo, campeões olímpicos, confiam em mim como uma pessoa limpa. Ninguém da Iaaf me parabenizou por ser eleita membro do COI, me senti ofendida por isso, pois fazemos parte do mesmo time.", salientou Isinbayeva.

A atleta ainda pediu que a Iaaf avalie a situação do atletismo russo com transparência. De acordo com a atleta, toda a documentação necessária já foi entregue à entidade para que a equipe possa voltar a competir em torneios internacionais. A atleta ainda aproveitou para criticar o "Relatório McLaren", documento elaborado pela Associação Antidopagem Mundial (WADA, na sigla) em que é denunciado um esquema de doping com envolvimento do governo russo.

"Acredito que leis devem ser iguais para todos, independentemente de cor, sexo ou raça. Nossa federação cumpriu todos requisitos para ser reacreditada pela Iaaf, a bola está na mão do conselho agora. Só vou dizer uma coisa: todas as acusações foram construídas sobre algo em que não há provas ou fatos e isso foi suficiente para levantar questões e banir todo o time russo. Quero ver mais fatos e provas sobre atletas. Não devemos deixar o trabalho meio feito. O relatório está longe de ser completo. A decisão de banir nosso time de atletismo foi injusta", salientou a atleta.

Questionada sobre o desempenho das competidoras em sua modalidade, Isinbayeva voltou a reclamar de sua punição e, em tom crítico, deixou no ar que a conquista da medalha de ouro ficará marcada, uma vez que a atleta que conquistar a premiação não terá derrotado a melhor do mundo na modalidade.

"No dia 2 de junho, eu pulei 4,90 metros e foi melhor resultado no mundo. Esta foi minha primeira competição após três anos. Eu não tive possibilidade competir antes. Pode imaginar em três anos uma marca tão alta? Naturalmente, acreditava que não seria banida. E falava com meu técnico em fazer 5,10 m. Não tinha dúvida que seria capaz de competir neste nível. Eu acreditava na minha vitória, então elas competirem sem eu estar lá seria injustiça. Quem ganhar a medalha de ouro eu não vou duvidar. Mas não deveria ser uma medalha justa. Vou parabenizar e ela vai sentir que não é um ouro total, pois não pôde derrotar Isinbayeva. O mundo queria ver esta competição", reclamou a atleta.

Fonte: UOL



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