O ex-ministro dos Esportes do Egito, Aley Eddine Helal, revelou nesta quinta-feira (04) que o país recusou pagar US$ 7 milhões de suborno ao ex-vice presidente da Fifa Jack Warner para que o Egito fosse sede da Copa do Mundo de 2010. O ex-vice da entidade máxima do futebol já está sendo investigado por supostamente ter recebido US$ 10 milhões para que o Mundial de 2010 fosse realizado na África do Sul. A acusação reforça a tese de um "leilão" pelo voto para a competição que seria disputada em solo africano.
"Eu não imaginava que a Fifa era tão corrupta. Jack Warner pediu 7 milhões de dólares antes da votação", contou Helal em entrevista ao programa ONTV reproduzida no site do Egito Ahram nesta quinta.
"O presidente da Federação egípcia El Dahshori Harb se encontrou com um oficial da Fifa nos Emirados Árabes Unidos e esse oficial informou a ele que o suborno custava 7 milhões. Eu disse que o presidente e da Federação Egípcia não poderia participar de tamanho crime", disse Helal.
O Egito acabou perdendo a votação para sediar o Mundial de 2010 sem ter recebido nenhum voto. A África do Sul acabou recebendo a competição.
O ex-ministro egípcio foi perguntado a razão de ter se mantido calado por tanto tempo, e explicou que ficou com medo da federação de seu país sofrer sanções por parte da Fifa por não haver provas que confirmem o pedido de propina por parte da entidade máxima do futebol.
O ex-vice presidente da Fifa Jack Warner é um dos citados pelo departamento de justiça dos Estados Unidos por ter recebido mais de US$ 150 milhões em propina e subornos na venda de direitos de televisão de competições internacionais.
Segundo a denúncia das autoridades dos Estados Unidos, entre os subornos recebidos por Warner, estariam US$ 10 milhões pagos pela África do Sul para que o país vencesse a disputa para sediar a Copa de 2010, o que é investigado pela unidade policial de elite sul-africana Hawks.
Autoridades esportivas sul-africanas reconheceram que autorizaram o pagamento de US$ 10 milhões a Jack Warner, mas dizem que o dinheiro era uma doação para projetos de desenvolvimento, e não um suborno.
Ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner afirmou, em entrevista a um canal de televisão de Trinidad e Tobago, estar disposto a revelar tudo o que sabe sobre casos de corrupção envolvendo a Fifa, por isso, teme pela vida. Ex-presidente da Concacaf e hoje parlamentar, o cartola está na lista dos indiciados pelas autoridades americanas e disse que existem vínculos entre a federação internacional de futebol e as eleições gerais de seu país.
A informação foi negada pela primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad Bissessar, que disse não ter recebido qualquer quantia de Warner para sua campanha no pleito de cinco anos atrás. Warner, que está na lista de 14 indiciados pela Justiça americana por envolvimento em esquema de subornos e propinas na venda de direitos de televisão de competições internacionais, disse que seus advogados têm documentos que vinculam a Fifa a seu financiamento de campanha.
O ex-dirigente, que foi banido do futebol em 2011, falou também de "transações que incluem o presidente da Fifa, Joseph Blatter", que anunciou nesta quinta-feira a convocação de novas eleições para os próximos meses, quando entregará o cargo.
"Não terei segredos sobre os que buscam, ativamente, destruir o país", disse Warner, que falou em "avalanche" de revelações.
Warner, que inicialmente negou envolvimento em esquema de corrupção, se apresentou voluntariamente às autoridades de Trinidad e Tobago na semana passada, ficou 24h detido e foi liberado após pagar fiança de US$ 400 mil (R$ 1,4 milhão). "Temo real e razoavelmente pela minha vida", disse o ex-presidente da Concacaf.