Educação

Viúva de um alto executivo que morreu no acidente da TAM é vítima de e

Piauí Hoje

Teresinha

19 de novembro de 2007 às 03:11


A viúva de um alto executivo que morreu no acidente com o vôo 3054 da TAM em 17 de julho deste ano deste ano afirma ser vítima de extorsão e que, por medo dos criminosos, decidiu mudar para a Europa. O desastre foi o mais grave da história da aviação brasileira, com 187 pessoas mortas.Em Paris, a viúva de uma das vítimas contou que começou a sofrer ameaças em agosto, um mês após a morte do marido. Bandidos quebraram o vidro do carro dela, no meio do trânsito. "Mas eu fugi, consegui fugir. E começaram a fazer ligações bem pesadas. Mas até então a gente não tinha certeza se eles sabiam bem ao certo quem nós éramos", diz a viúva. Ela diz que, em outra ocasião, numa avenida da Zona Sul de São Paulo, chegou a ser perseguida por dois motoqueiros. A viúva afirma que só teve certeza de que os bandidos sabiam sua identidade quando recebeu um e-mail com ameaças às suas duas filhas. A mensagem diz que ela ganhou na "Mega-Sena da TAM" e já teria recebido metade dos R$ 16 milhões da indenização. O bandido exige dinheiro. "Nem se começou ainda a negociação para acertar uma indenização. Eles citaram números milionários que não é verdade, não é real." Seqüestro Mais um momento dramático aconteceu em outra avenida da capital paulista. A vítima disse que estava sozinha, parada no trânsito. Dois homens se aproximaram, fizeram ameaças, entraram no carro e exigiram dinheiro para não seqüestrar suas filhas. Logo depois, segundo ela, os bandidos fugiram a pé. Uma das adolescentes perdeu o ano na escola por causa das ameaças. "Eu me sinto sem chão, como se eu tivesse perdendo o meu tempo de vida, que pode ser curto ou não", desabafa a garota. O dinheiro para que as jovens não fossem seqüestradas deveria ser entregue em um shopping. "Eles realmente estavam querendo as meninas, que eles iam pegar as crianças. Nesse momento eu já estava desesperada", confessa a mãe. Flagrante No mesmo dia da ameaça, na segunda-feira (12), a mulher procurou a polícia. Registrou queixa de extorsão e combinou com os investigadores uma maneira de prender a quadrilha em flagrante. "Procurei o pessoal do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), que foi extremamente atencioso. Eles foram no mesmo dia na minha casa, levaram rádio", conta. No Deic, a viúva consultou o álbum com fotos de dezenas de criminosos. Não reconheceu ninguém. Em seguida, fez um retrato falado de um dos golpistas. Os policiais deram todas as garantias de que nada aconteceria a ela: a vítima poderia entregar o dinheiro que os bandidos seriam presos em seguida. No último momento, com medo, a viúva desistiu de tudo. "Eu não tinha estrutura psicológica pra isso, para ficar de isca. Você não sabe o que vai acontecer. É uma incógnita e eu me recusei a fazer isso", afirma. Mudança Na terça feira (13), com orientação do advogado da família, ela foi às pressas para a Europa com as filhas, sem se despedir de amigos e parentes. Por causa da morte precoce do pai no acidente as adolescentes recebiam acompanhamento psicológico. Agora, não sabem como será o futuro. "A gente não sabe onde vai estar amanhã, o que a gente vai fazer", desespera-se uma das filhas. A polícia paulista diz não ter notícia de outras extorsões e ameaças envolvendo o dinheiro de possíveis indenizações da TAM e alega que, como as vítimas desse caso deixaram o país, as investigações ficam mais difíceis. MedoPara a família que começava a se recuperar do trauma de Congonhas, uma certeza: ninguém quer ir pra casa tão cedo. "Vontade para voltar para o Brasil com essa falta de segurança, a gente não tem nenhuma. Vamos fazer o que lá? Esperar pra que aconteça alguma coisa?",questiona a viúva.

Fonte: Globo



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