Os jovens entregues por militares do Exército a traficantes do morro da Mineira (zona norte do Rio) foram torturados e mortos com 46 tiros, segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal) divulgado por Sergio Torres.Wellington Gonzaga Ferreira, 19, foi morto com 26 disparos de fuzis e pistolas. David Wilson da Silva, 24, seu companheiro na volta de um baile funk, foi baleado 18 vezes. A terceira vítima, Marcos Paulo Campos, 17, levou dois tiros ao tentar fugir.As 46 perfurações foram contabilizadas pelos médicos legistas do IML (Instituto Médico Legal) de Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Eles examinaram os corpos dos três rapazes no fim de semana.Eles haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).Segundo a polícia, os rapazes foram entregues por militares para traficantes do morro da Mineira, controlado pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do CV (Comando Vermelho), que controla o morro da Providência.Leia a matéria completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.RetiradaO Ministério Público Militar pediu nesta quarta-feira à Justiça a prisão de 4 dos 11 militares detidos sob acusação de terem levado três jovens para traficantes. O pedido de prisão, segundo a Promotoria Militar, foi entregue no fim da tarde à Justiça Militar.Caso a Justiça aceite a ação, os quatro militares ficarão presos por mais 30 dias. Pela decisão atual, da Justiça comum, eles ficarão presos até o próximo dia 25.Na ação, o órgão pede a prisão do tenente Vinícius Ghidetti apontado pela polícia como o mandante da entrega dos jovens aos traficantes, o sargento Leandro Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues Araújo e Fabiano Eloi dos Santos. Os quatro e outros sete militares já estão presos no Batalhão de Polícia Militar, na Tijuca (zona norte), desde segunda-feira (16), quando a Justiça comum determinou a prisão deles.A Justiça Federal determinou, ainda ontem, a retirada do Exército do morro da Providência. O pedido foi feito pela Defensoria Pública da União.A juíza considera inconstitucional a presença do Exército no morro da Providência, afirma haver "inabilidade" e "despreparo" para a "garantia da lei e ordem no Estado do Rio de Janeiro" e pede o uso da Força Nacional de Segurança no lugar dos militares.O presidente Lula classificou o episódio no morro como "abominável" e disse que o Estado tem de reparar as famílias dos rapazes. Nesta terça-feira (17), o presidente determinou que uma comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos investigue o caso.
Fonte: Folha Online