Educação

Uenf desenvolve controle da praga da mosca branca

Piauí Hoje

Teresinha

21 de novembro de 2008 às 02:11


Pesquisa da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense), no Rio de Janeiro, indica um horizonte para o controle da praga da mosca-branca, que arruinou os cajueiros de São João da Barra e outros municípios do Norte Fluminense nos últimos dois anos. Em pesquisa de mestrado orientada pelo professor Richard Ian Samuels, Laerciana Pereira Vieira testou vários produtos facilmente encontrados no mercado e concluiu que a aplicação de um óleo vegetal misturado com água conseguiu combater 56% da praga num prazo de três dias. O óleo é conhecido como natur"oleo e foi utilizado na proporção de 1%. O trabalho foi apresentado como dissertação de mestrado em Produção Vegetal nesta sexta, 14/12, na Uenf. Os experimentos foram desenvolvidos tanto no Laboratório de Entomologia e Fitopatologia (LEF) da Uenf, quanto em uma propriedade agrícola na localidade de Campo Novo, em São João da Barra. Além dos resultados imediatos, o estudo de Laerciana abre nova frente de pesquisas para o controle da praga. Por exemplo, uma mistura de água com sabão neutro a 10% (máximo permitido pelas normas da agricultura) eliminou 45% das moscas-brancas. Laerciana chegou a testar uma combinação de todas estas misturas, mas o resultado não foi bom. - O que me animou bastante nesta pesquisa é que a mistura com o óleo vegetal fica bem barata para o produtor, já que o produto é vendido em qualquer casa de produto rural e é utilizado em baixa escala. Os produtores podem comprar apenas um litro e dividir para vários, diminuindo ainda mais o custo. Na pesquisa, Laerciana utilizou 2 ml de natur"l óleo misturado a 200 ml de água. A literatura técnica admite uma dosagem de até 5% sem que haja danos à planta, mas a mistura a 1% teve o mesmo resultado. A intenção da pesquisadora agora é difundir sua pesquisa para que o combate seja total. Segundo ela, os resultados animaram os produtores que tomaram conhecimento da pesquisa, que têm no caju uma renda extra durante o período em que a fruta está apta para a extração. - Aqui na região, a planta é apenas para extrativismo, ao contrário da Região Nordeste, onde estão os estados que são os maiores produtores de caju do Brasil. Então, com esta pesquisa espero que no início do próximo ano já tenhamos uma boa colheita - completa Laerciana. Praga também ataca outras culturas As moscas brancas são fitófagas (alimentam-se de plantas) e importantes pragas na agricultura. Elas atacam outras plantações, além do cajueiro, mas no Norte Fluminense (principalmente em São João da Barra, um dos maiores produtores da região) foram responsáveis pela perda de cerca de 100% da produção de caju nos últimos anos. Segundo a mestranda Laerciana Pereira Vieira, trata-se de uma praga bem complicada, porque produz uma camada de cera intensa, além de ser um inseto sugador. A mosca branca coloniza a parte de baixo da folha e produz uma substância açucarada que proporciona o desenvolvimento de um fungo fitopatogênico conhecido como "fumagina". Este fungo também contribui para mortalidade do cajueiro, pois tanto a mosca-branca quanto o fungo não permitem que a planta faça a fotossíntese. Sua ação é tão intensa que ela chega a matar uma árvore inteira, como ocorreu em São João da Barra. Outro fator que dificulta o combate às moscas brancas é que seu ciclo acontece várias vezes ao ano. - Ela é uma praga que precisa ser combatida e espero que minha pesquisa seja o pontapé inicial para isto. Minha intenção foi voltada para os pequenos produtores que não têm condições de gastar tanto com produtos químicos, por isso a utilização de produtos que a gente encontra no mercado - finaliza. Exemplo de diálogo entre produtores e cientistas A busca de formas de controle da mosca-branca é um bom exemplo de interação entre produtores rurais e pesquisadores. Em maio de 2006 foi realizada a primeira de uma série de reuniões entre produtores rurais de São João da Barra e pesquisadores da Uenf. O encontro foi realizado em 06/05/06, na localidade de Mato Escuro, e os objetivos eram diagnosticar o problema que dizimava os cajueiros e encontrar soluções. Pela Uenf, participaram pesquisadores e estudantes dos laboratórios de Entomologia e Fitopatologia (LEF) e de Engenharia de Produção (Leprod). Na ocasião, a situação era tão alarmante que uma das propostas foi a implementação de uma poda generalizada e posterior queima do material, visando à redução na densidade populacional da praga e sua expansão para novas áreas. Outra possibilidade seria a substituição de cajueiros nativos por variedades resistentes à praga, o que, entre outras dificuldades, exigiria autorização dos órgãos ambientais.

Fonte: Uenf Online



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