A Polícia Militar do Piauí vai usar a força, se necessário, para retirar as pessoas que insistem em permanecer no terreno ocupado no Residencial Alto da Felicidade, na região do Alto da Ressurreição, zona Sudeste de Teresina.A tenente-coronel Júlia Beatriz Pires, do Comando de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar do Piauí, mediadora da questão da ocupação do terreno, explicou que há um grupo de pessoas intimidando as famílias que querem desocupar a área para que se dê cumprimento ao termo de acordo, assinado pelo Governo do Estado, Prefeitura de Teresina e Caixa Econômica Federal para a construção das moradias pelo Programa Minha Casa, Minha Vida.Governo e prefeitura se comprometeram a construir as casas e dar a infraestrutura necessária para a habitabilidade, enquanto que as mais de 1.300 famílias assumiram o compromisso de deixar a área para que a Caixa Econômica Federal pudesse iniciar a construção das moradias.Segundo Júlia Beatriz, esse grupo de moradores que não quer deixar a área alega que quem assinou o termo de desocupação do imóvel não tinha ligetimidade para fazê-lo. "Quem pode ter mais legimidade que o governador e o prefeito. Eles não só deram a palavra de que as casas seriam construídas, mas assinaram um termo de compromisso". Outra alegação das pessoas que insistem em permanecer no terreno é que não foi feito o cadastro das famílias que terão direito às casas, o que não é verdade. Júlia Beatriz confirma que já são 614 famílias cadastradas e que o restante que ainda não fez o cadastro recebeu senha e tem a garantia de que serão incluídas no programa."Há um grupo que não aceitou o acordo e quer continuar no terreno. São justamente essas pessoas que estão criando problema, inclusive ameaçando famílias que querem deixar a área. Essas famílias têm a garantia do poder público de que poderão deixar o local, se preciso até com escolta da PM", garantiu a tenente-coronel. "Até terça-feira (08), todas as pessoas que resistem a cumprir o acordo serão retiradas. A gente espera que não haja esse confronto. O que queremos é que haja bom senso e que se cumpra o termo. Não se trata de palavra, mas de um termo assinado pelo governador Wellington Dias e pelo prefeito de Teresina, Sílvio Mendes. A PM é sempre o portador da má notícia... Nós temos que cumprir as determinações judiciais", concluiu Júlia Beatriz. SuspensaNo dia 31 de julho passado, a Polícia Militar deveria dar cumprimento à ordem judicial assinada pelo juiz Teófilo Rodrigues, que determina a desapropriação das terras do residencial Alto da Felicidade, mas uma determinação do próprio governador Wellington Dias, depois de um acordo com a Justiça, suspendeu por 15 dias a desocupação. A medida evitou o confronto dos moradores com os cerca de 200 PMs do RONE e GATE, que foram para o local armados com escudos, carabinas carregadas com balas de borracha, bomba de gás lacrimogênio e de efeito moral, pistolas de choque e armas de fogo.Dias antes, uma comissão de moradores esteve na Assembléia Legislativa, tentando conseguir a ajuda dos deputados para evitar o despejo. Foi criada uma comissão suprapartidária para negociar uma solução pacífica para a questão, que acabou com a assinatura do acordo entre governo, PMT e CEF.
Fonte: Paulo Pincel