Educação

Sobrevivente da queda de um Learjet sobre casa em São Paulo fala sobre

Piauí Hoje

Teresinha

05 de novembro de 2007 às 04:11


A estudante Laís Gonçalves da Silva Coutinho de Melo, 11, uma das sobreviventes da queda de um Learjet sobre uma casa na Zona Norte de São Paulo diz que a partir deste ano vai comemorar dois aniversários. "Eu renasci. Se não fosse Deus e os Bombeiros eu morreria sufocada. Agora vou fazer dois aniversários, no dia 2 de maio e no dia 4 de novembro [data do acidente]", diz Laís, que sofreu apenas pequenas escoriações no rosto e um corte no lábio superior. Ela foi internada e recebeu alta na tarde desta segunda-feira (5). Com fala bem articulada e se mostrando madura para seus 11 anos, Laís diz que agora está preocupada com sua amiga, Cláudia de Lima Fernandes, 16, que também sobreviveu ao acidente mas está internada na unidade de queimados do Hospital do Servidor Público Estadual com 30% do corpo queimado. "Minha preocupação agora é a Cláudia, estou com muita saudade dela, queria visitar ela, mas minha mãe disse que não pode porque ela está internada", comentou Laís. As duas cursam a 5ª série no Colégio Barão Homem de Melo, da rede pública. Futuro profissionalAlém do trauma e da preocupação com a amiga, ela chegou também a lamentar a cicatriz no lábio, o que, segundo ela, vai impedir que realize o sonho de ser modelo. "Minha boca vai ficar marcada. Vou ter que procurar outra profissão bem legal que eu ganhe dinheiro para comprar minha própria casa", planeja. Laís tem dois irmãos de 10 e 2 anos. Laís foi entrevistada em sua casa, que fica a poucos metros do local do acidente. Sua mãe, a dona-de-casa Cláudia Aparecida Gonçalves da Silva, 28, acompanhou grande parte da conversa.O resgateNo momento do acidente, Laís disse que estava no quarto de Cláudia conversando "assuntos de adolescentes", antes de começarem a brincar. "Logo depois que eu disse \'Cláudia, vamos brincar de professora\' a gente ouviu um barulhão e começou a cair um monte de coisa em cima da gente", contou. A menina diz que orientou os bombeiros a ajudá-la. "Eu comecei a gritar socorro e quando os bombeiros bateram na madeira em cima de mim eu disse \'ei, minha cabeça está aqui embaixo, tem uma sobrevivente aqui", diz Laís, que relata sentir dores no corpo por causa do peso dos escombros. Quando foi retirada do local, Laís perguntou como estava a amiga e soube, pelos bombeiros, que Cláudia também tinha sobrevivido. Ao mesmo tempo, foi informada da morte dos outros integrantes da família. "Ela vai sofrer muito quando souber que eles morreram", lamenta. A estudante conta que frequentava a casa de Cláudia todos os dias e que gostava muito de sua avó. "Ela me tratava super bem, como se fosse minha própria avó. Sempre me perguntava se eu queria alguma coisa para comer. Fiquei muito triste por eles. Meu coração ficou super angustiado", diz.

Fonte: Globo



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