O procurador-Geral da República, Antônio Fernando Souza, denunciou na sexta-feira (08), em Alagoas, a existência de um plano criminoso para assassinar o procurador da República, Rodrigo Tenório, da Procuradoria da República no Município de Arapiraca. O plano também atingiria o juiz federal da 8ª Vara Federal em Arapiraca, Rubens Canuto Neto. Durante coletiva na sede do Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL), o procurador-geral da República afirmou que as ameaças ou tramas não irão intimidar os membros do MPF. "Reafirmo o apoio irrestrito ao colega e o envolvimento de toda a instituição no caso", disse. Segundo ele, o recado claro aos responsáveis pelas ameças é de que a atuação do membro do MPF é institucional e será preservada. "Trata-se de uma agressão a toda a instituição e à sociedade brasileira e alagoana. Violência é a marca dos insanos e a manifestação das autoridades nesse momento, ao tornar o fato público, é para que sirva de alerta, pois qualquer ameaça ao Judiciário ou ao Ministério Público é um afronta às instituições republicanas e à ordem jurídica.", complementou.Participaram da coletiva todos os procuradores da República em Alagoas, os procuradores regionais Uairandyr Tenório e Fábio Cruz da Nóbrega, o procurador da República aposentado Delson Lyra, o superintendente da PF em Alagoas, José Pinto de Luna, o diretor do Foro da Justiça Federal em Alagoas, juiz federal Paulo Machado Cordeiro, o juiz federal representante da Associação dos Juízes Federais em Alagoas, André Tobias Granja, o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Everaldo Patriota e o presidente da Associação Alagoana dos Magistrados (Almagis), juiz Maurílio Ferraz.Segundo o procurador-chefe da PR/AL, Paulo Roberto Olegário de Sousa, o plano foi descoberto em 29 de janeiro e vem sendo investigado em inquérito aberto pela Polícia Federal (PF). A partir de então foi dada total garantia de segurança ao procurador da República e ao juiz federal. Ainda segundo Paulo Olegário, um pistoleiro teria sido contratado por um valor equivalente a R$ 50 mil para executar os membros do MPF e do Judiciário Federal. "Os membros do Ministério Público Federal e da Justiça Federal não se intimidaram em suas atuações, pois estão no exercício de suas atividades constitucionais", ressaltou Paulo Olegário. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Antônio Carlos Bigonha, também participou da entrevista coletiva. Ele destacou a preocupação em garantir o pleno exercício da ação dos procuradores. "Nossa categoria considera muito grave essa ameaça, que não é contra um membro do MPF apenas, mas contra o conceito de República e contra a Justiça brasileira como um todo", disse. Segundo Bigonha, é importante que a comunidade de Alagoas reflita sobre isso, já que para ele a questão transcende muito o âmbito local, e passa a ser uma questão que agride o valor nacional. "Nós estamos nesse ato irmanados com a Associação dos Juízes Federais para deixar claro para essas pessoas que estão fazendo essas ameaças que nós não vamos recuar. Temos garantias constitucionais para exercício do nosso ofício e ele será exercido da forma como têm atuado os colegas de Alagoas, com independência, equilíbrio e retidão inerentes à Justiça", afirmou.
Fonte: MPF