Processos criminais que não andam, réus passam meses para dar depoimentos, delegados, agentes de polícia e agentes penitenciários que não permitem os advogados se comunicarem com os presos clientes. Essa é a situação da justiça criminal do Piauí, segundo denunciou ontem (19) à Ordem dos Advogados do Brasil, secção Piauí (OAB-PI), a Associação dos Advogados Criminalistas do Piauí.O presidente da Associação, Irineu Nascimento, disse que do jeito que está não pode continuar. "A situação está um caos. Só temos três varas criminais que cuidam de todos os tipos de crime e por os processos não andam. E só temos um Tribunal do Júri (que cuida de crimes contra a vida), enquanto que na vizinha cidade de Timon (MA), bem menor que Teresina, são 3 tribunais do júri. O Poder Judiciário tem que fazer alguma coisa", reclama o advogado.O presidente da OAB-PI, Norberto Campelo, disse que a entidade vai entregar um documento ao Tribunal de Justiça do Piauí solicitando providências e ainda será marcada uma reunião OAB e TJ discutirem juntos soluções para os problemas denunciados pelos advogados. "A justiça criminal está totalmente inviabilizada. Vamos levar à presidência do TJ e à Corregedoria para ver se a gente consegue resolver", afirmou o presidente.Uma outra reunião será marcada também com o secretário de Segurança, Robert Rios, com a delegada geral, Hildete Evangelista e com a secretária de Justiça, Cléia Coutinho para que elas tomem ciência do problema que envolvem os policiais e agentes penitenciários. "Devemos exigir das autoridades que cumpram seu papel, pois a maiorias dos problemas podem ser solucionados. Vamos ouvir também o que elas têm dizer. Acreditamos que encontraremos uma saída", afirmou Norberto, lembrando que é direito constitucional do cidadão, ainda que acusado e respondendo a processo criminal, ter contato com o advogado, seja nas delegacias ou penitenciárias. "E o trabalhado do advogado tem que ser respeitado", concluiu.O OAB vai solicitar ainda ao TJ que instale as 8ª, 9ª e 10ª varas criminais, que foram apenas criadas, mas não funcionam.
Fonte: OAB-PI