Educação

Presos retomam motim no Presídio Anibal Bruno e matam mais dois intern

Piauí Hoje

Teresinha

13 de novembro de 2007 às 02:11


Detentos do Presídio Aníbal Bruno retomaram ontem à noite e início da madrugada desta terça-feira (13) a rebelião iniciada na tarde de domingo na maior unidade prisional pernambucana. Pelo menos dois detentos foram mortos (o que eleva para três o número de vítimas do motim, já que outro presidiário foi assassinado na véspera).O Instituto de Medicina Legal recolheu, por volta da 0h30 de hoje, dois corpos. O primeiro, morto a facadas e pauladas, decapitado e parcialmente carbonizado, era Fábio Batista da Fonseca, 30 anos, conhecido como Novato da Torre, que estava no presídio acusado de assalto e formação de quadrilha.O outro preso morto, também a facadas e totalmente queimado, era Marcos Michel da Silva Correia, 20 anos, conhecido como Michel do Pacheco, preso por porte de arma. Os dois corpos foram deixados na rampa dos pavilhões G e H.Segundo o perito Luciano Lira, havia informações sobre mais três mortos, mas os técnicos não conseguiram confirmar por causa da falta de segurança. No início da madrugada, os mais de 3 mil detentos estavam soltos dentro da unidade.De acordo com o titular da Secretaria de Ressocialização do Estado (Seres), coronel Humberto Viana, os presos não cumpriram o acordo que tinham feito com o governo, de não voltar a se rebelar em troca de mudanças no sistema de visitas - a exigência de um cartão de visitantes tem causado revolta, além da questão dos chaveiros que, de acordo com os detentos, continuam cobrando propina em troca de benefícios dentro da unidade prisional. Segundo o secretário, quatro chaveiros já foram afastados das funções."Esse é um problema do sistema prisional brasileiro e latino. Pelo menos aqui no Brasil essa prática, que é irregular e ilegal, ocorre há pelo menos 12 anos e nós não temos como fazer mudanças imediatas e repentinas sob o risco de causar mais revoltas". Segundo Viana, presos de vários pavilhões tentaram invadir o pavilhão N, conhecido como ala dos excluídos, por abrigar presos jurados de morte ou de alta periculosidade. Se no domingo o motim destruiu o pavilhão D, ontem à noite danificou o pavilhão I, que acabou de ser reformado, ao custo de R$ 600 mil.Pouco antes da 0h, a redação do Jornal do Commercio recebeu duas ligações de um detento do Aníbal, que não quis se identificar. Falando de um celular, ele disse que os amotinados querem a saída do diretor da unidade (Sidnei Souza) e mudanças no sistema de visitas.Ele disse que "a corrupção é absurda" dentro do presídio e acusou policiais de cobrar "pedágio" dos visitantes. Criticou ainda a lentidão da Justiça, o que faz com que muitos que já cumpriram pena continuem detidos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e chegou ao local por volta das 22h30, mas não pôde entrar porque nem o Batalhão de Choque nem a Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe), ambos da Polícia Militar, haviam chegado. Só às 23h chegou a Cioe. O BPChoque ainda não tinha chegado até a 1h.Um funcionário da Seres disse que foram feitas revistas após os levantes de domingo e segunda, mas que era "impossível" retirar todas as armas de um presídio com mais de 3 mil detentos. Segundo relato do detento que ligou para o JC, os rebelados estavam armados com facas, barrotes e portavam celulares.Durante toda a madrugada, policiais de diversos batalhões, como CIOE, Rádio-patrulha, Rocam, GOE e policiais da equipe do delegado Roberto Geraldo, da Roubos e Furtos devem se revezar na entrada ao pátio principal para avaliar a situação rebelião.Uma revista estava programada para acontecer, a princípio, às 5h. Mas o efetivo que estaria presente seria insuficiente para a ação, portanto foi decidido que a operação deve ser realizada depois das 7h, quando aproximadamente 150 policiais do Batalhão de Choque da PM estarão prontos para entrar no presídio.

Fonte: Jornal do Commércio



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