Desde o início das investigações sobre o furto milionário ao Banco Central em Fortaleza, ocorrido em agosto de 2005, a Polícia Federal já prendeu 60 pessoas envolvidas como "laranjas" da quadrilha que levou R$ 164,7 milhões. Do total, cinco foram presas nesta semana. Estas últimas cuidavam de propriedades adquiridas por Antônio Jussivan Alves dos Santos, o "Alemão", apontado como líder do grupo, preso na última segunda-feira, em Taguatinga (DF). Todos trabalhavam no esquema de "lavagem" do dinheiro furtado.Além de Alemão e de sua mulher, Rosângela Oliveira, foram presos desde segunda-feira Antônio Rivaldo Oliveira da Silva, José Silva Ferreira (ou Antônio Ferreira da Silva, como divulgou a PF), Robson Nunes de Sousa, Edmilson Queiroz de Carvalho e Reginaldo de Oliveira da Silva. Uma mulher identificada como "Ana Neize" também chegou a ser detida, mas foi liberada por falta de provas de ligação com Alemão. Assim como o chefe da quadrilha, os cinco "laranjas" também serão trazidos para interrogatório em Fortaleza. A Polícia Federal não informa o dia da transferência, por questão de segurança, mas O POVO apurou que Antônio Rivaldo da Silva e José Silva Ferreira já serão encaminhados na próxima semana. Deverão depôr na Justiça Federal logo após Alemão, que será ouvido na terça-feira, dia 4.A Polícia Federal ainda não concluiu os cálculos do valor destinado a Alemão na partilha entre os 36 integrantes da quadrilha. De acordo com o delegado Antônio Celso dos Santos, responsável pelas investigações, a estimativa é que o chefe do grupo tenha ficado com cerca de R$ 8 milhões e adquirido cerca de 20 imóveis. Casas, fazendas, sítios e estabelecimentos comerciais espalhados por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no entorno de Brasília (Riacho Fundo II, Ceilândia e Taguatinga). Se conseguir localizar todo o dinheiro, a quantia recuperada nesses dois anos e meio atingiria um terço do total, subindo de R$ 45 milhões para cerca de R$ 53 milhões.EtapasNas duas sentenças já anunciadas para o furto milionário, para 15 dos integrantes da quadrilha, a investigação da Polícia Federal sempre ressaltou o trabalho dos criminosos na pulverização do dinheiro levado do Banco Central. Segundo os autos, o grupo pensou em tudo: "planejamento, financiamento, informações, arregimentação de pessoal, documentação falsa, aluguéis de imóveis, constituição de empresa de fachada, estratégias de cobertura e despistamento, equipes de execução conforme suas especialidades, partilha, distribuição e ocultamento do produto do furto, fuga, recuperação do produto e lavagem". A cada etapa do crime, foi dado o mesmo peso de importância.Dos 60 "laranjas" da quadrilha do BC que chegaram a ser presos durante o processo de investigação, a assessoria de imprensa da Polícia Federal não soube precisar o número de pessoas que já foram soltas. Dos 36 integrantes do núcleo original da quadrilha, 26 foram presos, quatro foram mortos e seis continuam foragidos.ENTENDA O CASO26 de fevereiro de 2008 - Antônio Jussivan Alves dos Santos, o "Alemão" é preso em Taguatinga, cidade-satélite de Distrito Federal.14 de fevereiro de 2008 - Nove presos que participaram do furto ao BC foram transferidos para a penitenciária federal da Mato Grosso do Sul. A Polícia descobriu um plano que envolvia o resgate dos presos e atentados a pessoas ligadas à segurança10 de Novembro de 2007 - Presa no Rio Grande do Norte com mais quatro pessoas, Jesilene Alves dos Santos disse que o esposo, José Marleudo de Almeida, certa vez lhe contou que estaria escavando um túnel para um furto milionário. Ele estaria com alguns amigos, entre os quais Antônio Jussivan Alves dos Santos, o "Alemão", irmão de Jesilene.Julho de 2007 - Quase dois anos depois do furto milionário, dos mais de R$ 164,7 milhões, aproximadamente R$ 30 milhões foram recuperados. Foram R$ 24 milhões em dinheiro e R$ 6 milhões em patrimônio.30 de junho de 2007 - A justiça federal condena os primeiros 11 acusados de participar do furto. As penas variam de três a 53 anos de prisão. Somados os valores das multas, o grupo teria que pagar R$ 33 milhões e 250 mil aos cofres públicos.4 Setembro de 2006 - Polícia Federal descobre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um túnel para chegar aos cofre do Banco do Rio Grande do Sul e da Caixa Econômica Federal . A Operação Toupeira, da PF impediu o plano, que teria sido financiado com dinheiro do furto do Banco Central. Entre os presos estavam os irmãos Lucivaldo Laurindo e Ricardo Laurindo Costa, integrantes do núcleo de Boa Viagem, município de cearense onde partiram integrantes do furto ao BC.29 julho de 2006 - Garotos que estavam jogando futebol encontram R$ 418,6 mil em cédulas de R$ 50,00 dentro de uma casa abandonada, na periferia de Natal (RN). Laudo pericial comprovou que o dinheiro era do BC de Fortaleza.11 agosto de 2005 - A Polícia localiza, em Minas Gerais, um caminhão-cegonha com 11 carros. Na carroceria de parte dos automóveis, R$ 4,966 milhões. Os carros e o caminhão, comprados por R$ 980 mil, eram da revenda Brilhe Car, de José Elizomarte e Dermival Fernando.10 de agosto de 2005 - Uma van dentro de um estacionamento no Centro, continha mais de R$ 5 mil, a maioria em notas de R$ 50,00 em seu interior, e teria sido utilizada para transportar o dinheiro do furto. O bilhete de estacionamento foi pago por "Paulo", uma das figuras mais desconhecidas do assalto milionário. Dele, a PF tem somente uma identidade falsa5 e 6 de agosto de 2005 - O grupo consegue entrar na caixa-forte do Banco Central, localizada entre as avenidas Duque de Caxias e Dom Manuel, no Centro da Capital. Para chegar aos R$ 164.755.150,00, tudo em notas de R$ 50,00, muita escavação para fazer o túnel de 78 metros, que partia da empresa de fachada Grama Sintética.
Fonte: Opovo