Após desmarcar os depoimentos do avô paterno e da tia da menina Isabella Nardoni, 5,, agendados para esta terça-feira, a Polícia Civil de São Paulo também adiou a apresentação do inquérito ao Ministério Público e à imprensa. Segundo o diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), Aldo Galiano Júnior, quatro depoimentos que ocorrerão amanhã (23) entre eles do avô e da tia da vítima serão "imprescindíveis" para concluir a investigação. Isabella morreu no último dia 29 após ser arremessada do apartamento do pai Alexandre Nardoni, 29, e da madrasta, Anna Carolina Jatobá, 24,suspeitos de matar a criança. Na manhã desta terça, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que o inquérito seria levado ainda hoje ao fórum de Santana, para ser analisado pela Promotoria. Horas depois, no entanto, Galiano afirmou que o inquérito não será concluído sem os tais depoimentos de Antonio e Cristiane Nardoni, avô e tia da menina; e de mais duas testemunhas. Todos devem ser ouvidos amanhã. O diretor do Decap convocou a imprensa para justificar por que ainda não vai apresentar informações sobre o inquérito. " A liberdade de imprensa não pode confrontar com interesse público", disse. A reconstituição do crime será realizada antes de o inquérito ser finalizado, segundo Galiano. Pela manhã, ele esteve reunido na sede da Secretaria da Segurança com os delegados Calixto Calil Filho e Renata Pontes, do 9º DP responsáveis pelas investigações; Elisabete Sato, titular da Seccional Norte; e com o delegado-geral de São Paulo, Maurício Lemos Freire. Confronto com a defesa Galiano afirmou querer evitar confronto com a defesa do casal suspeito. Ontem (21), os advogados disseram à Folha Online que entrariam com uma representação na Corregedoria da Polícia Civil contra a delegacia, que estaria conduzindo uma investigação parcial e cheia de irregularidades. A defesa relatou que informações sobre o laudo da morte de Isabella teriam sido mencionadas durante o depoimento de Nardoni e Anna na última sexta-feira (18). A prática é irregular, segundo o advogado Ricardo Martins, já que a defesa não teve acesso ao documento, pois oficialmente o laudo não foi anexado ao inquérito. O diretor do Decap disse que o laudo foi anexado hoje ao inquérito e que as perguntas feitas ao casal foram feitas com base em informações que os delegados obtiveram no local do crime e com conversas prévias com peritos que elaboraram o laudo. Galiano afirmou "não está nos planos da Polícia Civil concluir o inquérito antes do prazo determinado". Agressões Galiano garantiu que a madrasta de Isabella não ficou presa com outras detentas quando passou uma semana detida no 89º DP (Portal do Morumbi). "Ela ficou separada e em exames que fez ao sair da cadeia não relatou lesões ao médico", afirmou Galiano. Em entrevista à Folha Online, o avô de Isabella relatou que outras detentas bateram em Anna Carolina. "Ela sofreu muito enquanto estava presa. As outras detentas bateram nela e, por isso, tivemos o cuidado de tirar fotos das marcas, pois não sabemos até onde isso pode chegar", disse Antonio Nardoni, na ocasião. Inicialmente, Anna Carolina ficou sozinha em uma cela. No entanto, no domingo (20), um assessor da Secretaria da Segurança admitiu que ela foi colocada com outras presas não foi informado, porém, o período nem quantas mulheres ficaram com ela. "Ela poderia até ter ficado com outras presas, mas houve precaução para evitar problemas", disse o diretor do Decap. Também hoje, a assessoria da secretaria manteve as declarações do delegado, de que Anna Carolina ficou sozinha na cela.
Fonte: UOL