Uma missa na Catedral marcou o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito. Parentes de vítimas e representantes de organizações não-governamentais homenagearam os mortos em acidentes nas ruas e reivindicaram punições mais severas para os motoristas. Só no Distrito Federal, nos primeiros oito meses deste ano, a violência no trânsito matou 297 pessoas.O diretor do Detran do DF, Délio Cardoso, avalia que as campanhas de conscientização são importantes, mas devem vir acompanhadas de outras ações."As campanhas são fundamentais. E no último momento, a repressão. Nós temos agido de forma implacável na questão do combate ao álcool. Brasília tem um fenômeno que chama a atenção: só este ano, nós apreendemos as carteiras de habilitação de 600 motoristas que estavam embriagados. Então, o uso do bafômetro é um instrumento do qual o Detran não abre mão", afirma Cardoso.Pérsio Davison, pai do jovem Pedro, de 25 anos, atropelado e morto em agosto do ano passado quando andava de bicicleta em Brasília, acha que é necessário mudar a idéia de que acidentes de trânsito ocorrem por acaso."Existe crime no trânsito. As pessoas não podem praticar crimes e se esconderem no Códido de Trânsito, que interpreta que não existe crime no trânsito. Ou seja, o que nós temos que colocar com muita clareza é que crime é no Código Penal. Se a pessoa pratica um crime na direção de um veículo, ele não deve ser analisado pelo Código de Trânsito e sim pelo Código Penal", defende Davison.Os parentes de vítimas de acidente de trânsito comemoraram a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que esta semana decidiu enviar para júri popular o estudante Rodolfo Ladeira. Em janeiro de 2005, na ponte JK, ele bateu no carro do advogado Francisco Teixeira - que morreu na hora.Ladeira será julgado por homicídio doloso, quando existe intenção de matar. Os ministros do STJ entenderam que, como o estudante dirigia a 165 quilômetros por hora, ele sabia dos riscos de provocar um acidente.O presidente da ONG Rodas da Paz, Maurício Gonçalves, também comemora a decisão, mas faz um alerta: "É fundamental: educação, fiscalização, punição e a criação de espaços adequados para automóveis, para os pedestres e para os ciclistas".A promotora Laura Rito, do Ministério Público do Distrito Federal, concorda que a simples adoção de leis mais duras não é suficiente. Para ela, ruas e estradas ficarão mais tranqüilas se os governos criarem políticas públicas com ênfase na educação.
Fonte: Agência Brasil