Educação

Nove pessoas foram indiciadas e oito pedidos de prisão preventiva cump

Piauí Hoje

Teresinha

28 de novembro de 2007 às 03:11


Nove pessoas indiciadas, com oito pedidos de prisão preventiva. Esse é o resultado das investigações dos cinco delegados que compõem a força-tarefa da Cia do Extermínio, sobre a ação de pistoleiros na entrada do Frotinha da Messejana, quando um suspeito de assalto foi executado e outro foi ferido, após terem sido presos por policiais militares.O relatório foi apresentado ao juiz da 5ª Vara do Júri, Jucid Peixoto do Amaral, ontem à tarde, no Fórum Clóvis Beviláqua, e, posteriormente, entregue ao promotor Luís Alcântara. O promotor teria até cinco dias para denunciar ou não os acusados, mas prometeu se pronunciar até o fim da tarde de hoje. Dos nove indiciados, somente o coronel Carlos Alberto Serra, ex-comandante do Policiamento da Capital (CPC), não teve o pedido de prisão preventiva decretado. Segundo a delegada Alexsandra Medeiros, que presidiu o inquérito, a força-tarefa não conseguiu elementos para provar o envolvimento do coronel na execução de um suspeito e na tentativa de homicídio do outro. Mesmo assim, o ex-comandante do CPC foi indiciado por omissão, seqüestro, tortura e abuso de autoridade. "Ele sabia da operação que resultaria na prisão ilegal dos suspeitos, mas não conseguimos provar que ele saberia que os suspeitos seriam fuzilados", comentou a delegada. Rogério Candeias da Silva, 21 anos, foi morto com disparos na cabeça e abdômen, enquanto Roger Alves da Silva, 20 anos, foi ferido com nove tiros. Os policiais do Serviço Reservado (Departamento de Inteligência) acreditavam que os dois teriam assaltado e espancado dois soldados, na Aerolândia, no dia 21 de setembro. Como Roger Alves havia sido ferido no pé, no momento da prisão, eles foram conduzidos em uma viatura não caracterizada até o Frotinha. Quando o veículo chegou à unidade de saúde, os suspeitos foram fuzilados por homens que os aguardavam. Para o advogado do coronel Carlos Alberto Serra, Paulo César Feitosa, o ex-comandante do CPC está com a "carreira militar destruída". "Na verdade, prenderam (prisão temporária - 30 dias) o coronal para investigá-lo. Quando ele deveria ter sido investigado para depois ser preso, se fosse culpado. Acredito que a inocência dele será provada e o não pedido de prisão preventiva já aponta isso", disse o advogado, que acredita no relaxamento da prisão temporária a qualquer momento. Apesar da força-tarefa não ter conseguido provar o envolvimento do coronel no fuzilamento dos suspeitos, a delegada Alexsandra Medeiros ressaltou que as investigações da equipe de delegados foram além do que eles esperavam. O delegado Paulo André afirmou que parte das 21 pessoas que tiveram prisões preventivas decretadas, no início do mês, por conta de crimes de pistolagem no Estado, estaria envolvida com as execuções do adolescente Rômulo Alves, 17 anos, e do operário Lenimberg Rocha Clarindo, 22 anos, em julho do ano passado. Os dois eram suspeitos do assalto e morte do policial do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), Claudionor Pereira. Posteriormente, as investigações apontaram que Lenimberg Rocha foi assassinado em um erro de execução. Já Rômulo Alves foi fuzilado no interior do Centro de Triagem, no bairro Olavo Bilac. ENTENDA O CASO 21 de setembro Dois policiais do patrulhamento de bicicleta foram assaltados, na Aerolândia. Um dos PMs foi atingido por um disparo na cabeça, enquanto o outro sofreu espancamentos. Três homens levaram as pistolas e os coletes dos policiais. Até hoje, a Polícia não localizou o armamento. 27 de setembro Roger Alves da Silva, 20 anos, e Rogério Candeias da Silva, 21 anos, são presos na Aerolândia como suspeitos pelo ataque aos policiais do patrulhamento de bicicleta. Roger estava ferido no pé e foi conduzido para o Frotinha de Messejana, no porta-malas de uma viatura descaracterizada, na companhia do outro suspeito. Os dois foram fuzilados por vários homens, quando chegaram à unidade de saúde. Rogério Candeias morreu. 8 de novembro Policiais federais cumprem 21 mandados de prisão temporária contra policiais militares e outros acusados de pistolagem no Ceará. Os mandados foram expedidos pelo juiz Jucid Peixoto do Amaral, com base nas investigações de cinco delegados da Polícia Civil. Entre os presos está o ex-comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Carlos Alberto Serra. Ele foi acusado de envolvimento no fuzilamento dos suspeitos de assalto, no Frotinha de Messejana. E-MAIS Os cinco delegados que fazem parte da força-tarefa criada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para investigar os casos de extermínio no Ceará são: Alexsandra Medeiros, Francisco Alves de Paula, Lúcio Pontes Torres, Paulo André Cavalcante e Fábio Facó Rodrigues. Durante seis meses, a força-tarefa ouviu gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça, de suspeitos de pistolagem. Foram mais de 40 CDs, com cerca de 70 horas de diálogos. Entre as gravações estaria a do cabo Francisco José dos Santos, o Jacaré, que teria reclamado de um outro policial sobre a "falta de pontaria" no fuzilamento do suspeito Roger Alves da Silva, mesmo ele sendo atingido com nove tiros de pistolas 380 e ponto 40, dois dos quais na cabeça e no pescoço. No fuzilamento do adolescente Rômulo Alves, no Centro de Triagem, a força-tarefa investiga a participação do ex-soldado e pistoleiro Ademir Mendes de Paula. Apontado como executor do comerciante Valter Portela, no dia 1º de março, o pistoleiro foi morto a tiros no dia 8 de abril. Sua participação na execução do comerciante foi revelada por sua companheira Ana Bruna de Queiroz Braga, 17 anos. A adolescente também foi morta a tiros, no dia 13 de abril.

Fonte: Opovo



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