Os mutirões carcerários promovidos pelo Conselho Nacional de Justiça completaram um ano. E graças a essa iniciativa, milhares e detentos que estavam esquecidos nas prisões ganharam a liberdade.José Alexandre foi condenado a quase cinco anos de prisão pelo furto de um par de óculos. Cumpriu quase dois anos. O mutirão do CNJ considerou a pena excessiva e o libertou. "Não é fácil pra ninguém passar o tempo que eu passei naquele lugar", disse José Alexandre Batista de Souza.Situações como a de José Alexandre foram encontradas em várias prisões do país. O mutirão foi realizado em 16 estados, 33 mil processos foram analisados. E resultaram na libertação de quase 5,7 mil pessoas, ou seja, 17,14% dos presos.Em Alagoas, quase 21% dos presos do estado foram libertados. No Piauí, 20%. E em Tocantins, 14%.Para condenados que já tinham cumprido a pena ou aqueles que permaneceram na cadeia além do tempo de prisão provisória estabelecido pela Justiça.O mutirão também concedeu benefícios a 8,4 mil presos, como por exemplo, a mudança de regime fechado para semi-aberto e aberto.Nas varas de infância e juventude de quatro estados, 16,5% dos menores estavam presos indevidamente e foram libertados.Para o presidente do Conselho Nacional de Justiça também é preciso dar alternativas a quem já prestou contas com a sociedade."Não se trata apenas de libertar pessoas, se trata de buscar também a sua reinserção social, daí a necessidade de nós trabalharmos essa idéia de ressocialização, de aproveitamento da mão-de-obra do preso depois que ele é solto, estamos criando um outro quadro no Brasil para a execução da pena, a prisão provisória, e no que diz respeito à própria Justiça criminal, que precisa se modernizar", disse Gilmar Mendes.
Fonte: Da redação