Mães que abandonam filhos em lixeiras, dentro de casa ou simplesmente os esquecem sozinhos em carros não são histórias raras, mas que geram revolta. Imagine então se uma criança, de apenas seis anos de idade, fosse envenenada por chumbinho (veneno para matar rato) e, após, caída devido os efeitos da substância, fosse espancada pela pessoa a quem todos os dias chamava de "mãe".A história parece um filme de terror, mas foi exatamente isso que ocorreu no Setor de Chácaras da Estrutural, na noite de quinta-feira última. A dona de casa Rosimeiry Ferreira do Nascimento, 37 anos, é acusada de ter colocado veneno no prato de comida do menino que teria encontrado na rua, há três anos. Ela também tomou a substância, e, segundo familiares, tentou envenenar o companheiro.O menino está internado no Hospital de Base de Brasília (HBDF) com traumatismo craniano, lesões pelo peito e costelas e intoxicação devido à ingestão do veneno. O estado de saúde dele é considerado gravíssimo. Rosimeiry também está internada no Hospital Regional do Guará, onde fez lavagem estomacal, mas as probabilidades de ela sobreviver são maiores que as da criança.O menininho foi socorrido por um vizinho e pelo companheiro de Rosimeiry, o caseiro Audenor Souza Santana, 38 anos. Ele conta que chegou em casa por volta das 19h, mas, como estava cansado, decidiu dormir. Antes, o caseiro disse que a companheira perguntou se ele queria jantar, mas, como não tinha o costume de fazer isso cedo, recusou e foi deitar.Ao acordar, duas horas depois, Audenor ouviu os gemidos da criança caída no chão do banheiro. "Eu vi ele vomitando e achei que a comida estava estragada. Ela virou para mim e disse: "Esse aí não tem mais jeito, não. Foi outro tipo de comida que eu dei para ele"", relembrou o companheiro ao Jornal de Brasília.AjudaSem acreditar no que Rosimeiry tinha feito, Audenor resolveu pedir ajuda para um vizinho e levou a criança ao Hospital Regional do Guará, onde foi transferida de helicóptero para o Hospital de Base. O companheiro, então, acionou a Polícia Militar, que foi até a casa de Rosimeiry e verificou que ela também tinha tomado o veneno de rato.Antes disso, Rosimeiry teria falado ao pai dela que também iria colocar veneno no prato de comida do companheiro. "Ela falou que ia matar ele", disse o pai, o aposentado Otacílio Ferreira do Nascimento, 77 anos. Evangélico, ele não sabe por que a filha agiu desta forma, mas acredita em influência maligna. "Ela não fez isso sozinha. Para mim, isso é coisa de satanás", acredita.Audenor diz que não imaginava que a companheira fosse capaz de fazer algo contra ele, embora Rosimeiry vivesse tendo reações estranhas. "Tinha dias que ela ficava nervosa à noite, mas quando acordava parecia outra pessoa", conta o companheiro, que convive com ela há cerca de dez meses. Para ele, Rosimeiry estaria em depressão, uma vez que, embora cuidadasse apenas dos afazeres de casa, não parava de trabalhar um minuto sequer. "Ela faz coisas que muito homem não faz", disse Audenor.
Fonte: Jornaldebrasilia