O Movimento dos Sem-Terra (MST) promete pressionar "com toda força" o governo de São Paulo durante o chamado "abril vermelho", o mês já tradicional de mobilização do movimento. Está prevista a invasão de fazendas, sobretudo no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado, região com grande ocorrência de conflitos fundiários. O objetivo é evitar a aprovação do projeto do governador José Serra que prevê a regularização das fazendas com mais de 500 hectares no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado. As terras foram tidas como devolutas pelo governo estadual que entrou com ações discriminatórias, visando à sua retomada. Os sem-terra querem a destinação das áreas para assentamentos da reforma agrária. Os fazendeiros, no entanto, alegam ter títulos de propriedade das terras e a discussão de prolonga na justiça. O projeto do governador, que aguarda votação na Assembléia Legislativa, prevê a realização de acordos judiciais para pôr fim à disputa. O coordenador estadual do MST, Clédson Mendes, disse que o projeto de Serra equivale a uma privatização de terras públicas. O MST deu ontem (24) uma demonstração de força no Pontal ao reunir 500 militantes, incluídos integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), para bloquear os acessos da Usina Hidrelétrica Sérgio Mota, em Rosana, em protesto contra o leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). "Para nós o abril vermelho já começou", disse o líder, referindo-se ao mês das invasões. Ele criticou o governador por dar seqüência ao programa de privatizações do PSDB, que vai contra os interesses da população pobre, segundo o líder. "Ao invés de investir em assentamentos, ele entrega as terras para o agronegócio." Além da ação da hidrelétrica, o MST invadiu a Fazenda Esperança, em Iepê, na última sexta-feira. No fim de semana anterior, haviam sido ocupadas as fazendas Alvorada, em Presidente Epitácio, e Macaé, em Andradina. Outro líder, Sérgio Pantaleão, disse que as ações do "abril vermelho" serão focadas em alvos políticos e não apenas reivindicatórios. "Não é só uma questão de reivindicar a terra para assentamento. Temos de marcar uma posição política para exigir a mudança no próprio governo." Ele garantiu, no entanto, que os sem-terra não vão tomar partido nas eleições municipais. "Não temos essa preocupação." Embora se mantenha no MST, Pantaleão é ligado ao líder dissidente José Rainha Júnior, que age por conta própria no Pontal. Rainha conta com a presença do presidente Lula na região, no final de abril, para o lançamento de um projeto de biodiesel. Sua mulher, Diolinda da Silva, é pré-candidata do PT a prefeita de Teodoro Sampaio.
Fonte: Agências