Educação

Monitores do Segundo Tempo sem salários há 90 dias

Piauí Hoje

Teresinha

14 de maio de 2010 às 03:05


Os monitores e coordenadores do Programa Segundo Tempo no Piauí estão há 90 dias sem receber o pagamento das bolsas a que tem direito. No total o programa do Ministério dos Esportes atende cerca de 34.254 crianças e adolescentes em situação de risco. Estas pessoas devem retornar em breve à rua onde poderão ser cooptadas por traficantes porque caso os recursos não sejam repassados aos monitores e coordenadores do programa ameaçam abandonar as aulas.O Programa Segundo Tempo foi criado pelo Governo Federal para ajudar, através do esporte e da educação, a retirar das ruas as crianças e adolescentes carentes dando-as cidadania para que não se envolvam na criminalidade, mas no Piauí sempre apresentou problemas relacionados a repasses. Ele é administrado pelo Partido Comunista do Brasil(PCdoB), que faz parte da base de sustentação do Governo Lula.A maioria dos monitores são pessoas humildes que necessitam do dinheiro da bolsa para ajudar a manter as suas famílias e se os recursos atrasam, a situação também fica difícil na casa de quem deveria ajudar os outros a saírem dos seus problemas. "Muitas monitoras não tiveram nem como comemorar o Dia das Mães porque o dinheiro não foi liberado", disse uma monitora que pediu para não ter o nome divulgado temendo represálias.Cada educar tem direito a uma bolsa de R$ 350,00 e como já está atrasado há três meses, são mais de R$ 1.000,00 que não entraram o orçamento da família. Já no caso dos coordenadores, o valor pago é de R$ 700,00 por mês.No Piauí a maioria das crianças e adolescentes atendidas pelo programa são de Teresina e têm como órgãos responsável a Fundação de Desportos do Piauí(Fundespi) e a Federação das Associações de Moradores do Piauí(Famepi), uma entidade ligada ao PCdoB local.Segundo os monitores que entraram em contato com a reportagem do DP, o problema está na Secretaria de Fazenda do Piauí. O programa, segundo eles, teve o total do seus recursos depositados até o mês de setembro (quando termina esta etapa) pelo Governo Federal. Mas o Governo do Estado responsável pelo pagamento dos monitores e coordenadores não está honrando os seus compromissos."Diariamente ligamos para a Fundespi para saber se o pagamento foi liberado e os próprios diretores daquele órgão pedem para a gente ligar para a Secretaria da Fazenda, mas lá ninguém informa nada", disse uma monitora que começa a ficar desesperada por causa da falta de dinheiro.Para alguns deles é lamentável que um país que vai sediar uma Copa do Mundo dentro de quatro anos e uma Olimpíada dentro de seis anos, ainda trate desta maneira os professores e a própria população pobre que tem no esporte um dos poucos meios de subir na vida sem falar do lucro que já obtêm simplesmente não se transformando em um traficante amanhã.

Fonte: DP



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