Educação

Militares entregaram os três jovens encontrados mortos no lixão de Gra

Piauí Hoje

Teresinha

17 de junho de 2008 às 03:06


O ministro Nelson Jobim (Defesa) repudiou a ação dos 11 militares acusados de entregar três jovens do morro da Providência (região central do Rio de Janeiro) aos traficantes do morro da Mineira, no sábado (14). Os três jovens foram encontrados mortos no domingo no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense).Jobim qualificou a ação dos militares como inconseqüentes e inadmissíveis e afirmou que os autores deverão ser repreendidos "de forma exemplar". Ontem, três militares um tenente, um sargento e um soldado do Exército afirmaram, em depoimento no Comando Militar do Leste, ter levado os rapazes à facção do morro da Mineira.David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, foram presos acusados de desacato à autoridade e levados ao quartel do Exército no morro da Providência, mas foram liberados.Para o delegado da 4ª Delegacia de Polícia do Rio (Central), Ricardo Dominguez, que investiga o caso, o tenente não gostou da decisão de seu superior de liberar os jovens. "O oficial superior não quis registrar a queixa e punir os jovens, mas o tenente não acatou e decidiu, por conta própria, cometer o crime e deixar os jovens na mão dos traficantes no morro da Mineiro", afirmou Dominguez.O delegado disse ainda que o tenente não se mostrou arrependido com o crime durante o depoimento. "Ele não mostrou arrependimento, essa é a verdade", disse o delegado.Os outros oito militares presos deverão prestar depoimentos à polícia nesta terça-feira (17), segundo o delegado. O nome dos 11 militares presos não foi divulgado pela polícia.PuniçãoNelson Jobim não descartou que os militares sejam acusados de homicídio caso seja confirmada a hipótese de que a causa da morte dos jovens tenha como origem sua entrega a uma facção rival. "Corre-se aí uma indagação: se a causa final da morte dos rapazes teve origem na entrega, pode-se falar inclusive em eventual co-autoria.""Veja o resultado de uma ação inconseqüente, inadmissível e que deverá ser repreendida de forma exemplar", disse.O ministro não esclareceu se os 11 militares serão expulsos do Exército. Para ele, a leitura das declarações dos envolvidos à polícia leva à indignação", mas deve-se esperar que o processo seja conduzido dentro dos trâmites judiciais."A leitura dos depoimentos no leva à indignação, mostrando a absoluta falta de respeito à pessoa humana desempenhado por esses personagens, e isso deverá ter uma reação não só na sociedade, mas do Poder Judiciário, de forma radical."ProtestoApós participar do enterro dos três rapazes do morro, os moradores realizaram um protesto em frente ao prédio do Comando Militar do Leste, centro do Rio. Soldados do Exército e manifestantes entraram em confronto.Durante o protesto, os soldados arremessaram bombas de efeito moral contra cerca de 400 manifestantes. Ao menos um homem foi preso.Um cordão com 200 soldados foi feito na entrada do prédio do comando. Quando os moradores se aproximaram, os soldados atiraram as bombas, segundo a Polícia Militar.Vias próximas ao prédio foram parcialmente interditadas com a confusão. A avenida Marechal Floriano ficou bloqueada para a passagem de veículos. Não há registros de feridos com gravidade durante o protesto.OcupaçãoNesta segunda-feira, o Exército repudiou o ato dos 11 militares e negou que tenha feito uso de violência ou implantado toque de recolher no morro da Providência, conforme relataram moradores. Segundo a denúncia, os militares que ocupam a favela desde dezembro do ano passado agem com violência e truculência contra a população local.O Exército também afirmou que continuará a ocupação na favela até, ao menos, dezembro deste ano, prazo inicial para o fim das obras no local.Os militares foram deslocados para o morro da Providência para realizar a execução do projeto Cimento Social, que consiste na elaboração do projeto básico; execução e fiscalização das obras; revitalização das fachadas e telhados; além da segurança das áreas das obras.O Ministério das Cidades repassou R$ 1,9 milhão ao Ministério da Defesa para a realização das obras, que são feitas em esquema de mutirão pelos moradores.

Fonte: Folha Online



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