O estudante de 8 anos aprovado no vestibular da Universidade Paulista (Unip) de Goiânia foi barrado na porta da instituição na manhã desta quinta-feira (6). "Quando chegamos, o porteiro já disse que a gente não podia entrar. Dever ter sido um erro de comunicação lá. Conversei e ele acabou deixando a gente entrar", diz o pai do garoto, Willian Ribeiro, que também estuda direito na Unip.Ribeiro conta que foi até a secretaria da instituição com João Victor e que o menino logo foi reconhecido por todos. "A moça [da secretaria] já me recebeu dizendo que vai devolver o dinheiro da matrícula e que ele não pode cursar", conta.O diretor da Unip, José Augusto Nasser, diz que João Victor não está matriculado no curso."Para se matricular é preciso apresentar o documento de conclusão do ensino e o pai do João Victor sabe disso, pois é aluno da Unip", diz. Ribeiro, no entanto, disse que embarca esta noite para São Paulo para tentar uma conversa com a direção da Unip. A notícia da aprovação de João Victor, que está no 5º ano do ensino fundamental causou polêmica nesta quarta-feira (5). Os pais dizem que a iniciativa de fazer a prova foi do garoto. "Ele que está trilhando o caminho dele, a gente só dá uma força e apóia", diz a mãe, a arquiteta Maristela Portellinha.A universidade reconheceu em nota da direção que João Victor fez uma boa prova. "O desempenho do estudante, levando em consideração sua idade e escolaridade, foi bom, especialmente na prova de redação, em que revelou boa capacidade de expressão e manejo eficiente da língua. A singeleza do conteúdo não destoava da linguagem simples, direta, coloquial, com poucos deslizes em relação à norma culta. Este fato o torna merecedor de um acompanhamento especial em seus estudos", dizia o documento.No entanto, de acordo com o comunicado da Unip, o estudante não poderá cursar pois "participou do processo seletivo na condição de \'treineiro\', numa prática adotada por várias universidades públicas e privadas". De acordo com a presidente do Conselho Estadual de Educação de Goiás, professora Maria do Rosário Cassemiro o garoto não pode ser matriculado devido a um artigo da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) que define que para cursar o ensino superior é preciso que a pessoa tenha concluído o ensino médio. Insatisfação da OABA Ordem dos Advogados do Brasil - Seção de Goiás (OAB-GO) classificou a aprovação de João Victor como "preocupante". "O fato materializa o alerta que a OAB-GO vem fazendo há tempos sobre a mercantilização do ensino jurídico, que não está sendo tratada pelas autoridades com a devida urgência que requer", disse nota divulgada no site da Ordem. O documento diz ainda: "O referido fato, por si só, caso seja comprovado, merece que a instituição de ensino sofra imediata intervenção do MEC para que seja verificado se casos semelhantes ocorrem com freqüência e em que circunstância o episódio ocorreu".
Fonte: G1