Educação

MEC pede que institutos federais identifiquem alunos que ocupam escolas

Solicito manifestação formal acerca da existência de eventual ocupação dos espaços físicos das instituições

Teresinha

20 de outubro de 2016 às 16:10


MEC
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Um ofício enviado pelo MEC (Ministério da Educação) aos dirigentes de institutos federais nessa pede que as unidades informem à Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica) se há ocupação em alguma de suas unidades e identifiquem seus ocupantes nos próximos cinco dias. 

"Solicito manifestação formal acerca da existência de eventual ocupação dos espaços físicos das instituições sob responsabilidade de Vossas Senhorias, procedendo, se for o caso, a respectiva identificação dos ocupantes, no prazo de 5 dias", diz o texto.

A urgência, de acordo com o documento, seria por conta da realização da próxima edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), previsto para os dias 5 e 6 de novembro. Há ocupações de estudantes em institutos federais do Paraná desde o início do mês. Os alunos protestam contra a Reforma do Ensino Médio e a PEC do teto de gastos públicos (PEC 241).

Segundo o ministério, o pedido de informações visa cumprir a "responsabilidade legal de zelar pela preservação do espaço público e de garantir o direito dos alunos de acesso ao ensino e dos professores, de ensinar", informou em nota.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador estadual do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, o pedido do MEC tem o objetivo de individualizar as condutas, visando criminalizar os estudantes. Apesar de não existir proibição legal para a individualização e identificação dos ocupantes, submeter adolescentes a constrangimentos configura crime previsto no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

"Com a individualização, o governo pretende ingressar com reintegrações de posse contra os ocupantes. Também pretendem acusá-los de danos ao patrimônio público, desacato a autoridade e outros crimes, como ocorreram em algumas ocupações de escolas de São Paulo. Com isso os dirigentes também pretendem ameaçar e constranger os ocupantes. Inclusive perante os demais estudantes que não estão participando de ocupações", afirmou.

Segundo o Ministério da Educação, a Advocacia Geral da União já foi acionada pelo MEC e estuda as providências jurídicas cabíveis para os responsáveis pelas ocupações.

"Há relatos que dão conta da presença de pessoas que não pertencem à comunidade dos institutos federais ocupados. Cabe aos reitores, diretores e servidores públicos, zelarem pelo patrimônio das entidades que dirigem, de acordo com a autonomia prevista em Lei. Ao MEC, cabe acompanhar para que não haja prejuízos à educação, ao patrimônio público e ao erário."

Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, também discorda com o pedido da pasta e questiona: "Qual é o sentido do MEC obter uma lista dos estudantes?"

"A única justificativa que se pode deduzir é a perseguição ao aluno, especialmente daqueles que lideram o legítimo pedido por uma educação pública de qualidade", comentou.

Enem será cancelado em escola ocupada

O ministro da Educação, Mendonça Filho, pediu ontem que os estudantes que seguem ocupando escolas pelo Brasil têm até o dia 31 de outubro para deixarem os locais. Caso o pedido não seja atendido, o Enem será cancelado nos locais ocupados.

Até a noite de ontem, dos 181 locais de prova ocupados, 145 estavam no Paraná, 12 no Rio Grande do Norte, seis em Minas Gerais e cinco do Rio Grande do Sul. O Distrito Federal e o Rio de Janeiro tinham três pontos de aplicação ocupados e Alagoas e Bahia, dois. Pernambuco, Pará e Tocantins tinham um ponto afetado.

egundo Maria Inês Fini, presidente do Inep, 181 locais de prova estão ocupados em todo o Brasil. Desses, 145 estão no Paraná, 12 no Rio Grande do Norte e 6 em Minas Gerais. Nos demais estados, os protestos estão diluídos.

Fonte: UOL



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