Educação

PUNIÇÃO

MEC instaura supervisão em curso de medicina da Afya Parnaíba após notas baixas no Enamed

Faculdade do litoral piauiense teve conceito 2 e índice de proficiência de 58,1%; punição inclui proibição de aumento de vagas

Dulce Luz

17 de março de 2026 às 18:22 ▪ Atualizado há 1 mês


Afya disse que não recebeu retorno dos recursos que podem alterar resultados do ENAMED 2025
Afya disse que não recebeu retorno dos recursos que podem alterar resultados do ENAMED 2025

O Ministério da Educação (MEC) instaurou nesta terça-feira (17) processo de supervisão contra o curso de medicina da Afya Faculdade de Parnaíba, no litoral do Piauí, em razão do baixo desempenho na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A instituição, que integra o mesmo grupo da antiga Uninovafapi, obteve conceito 2 e índice de proficiência de 58,1% entre seus concluintes, ficando abaixo dos 60% considerados satisfatórios pelo ministério.

Por ter superado por pequena margem o patamar mínimo de 50% de aproveitamento, a faculdade foi classificada na faixa de "restrição moderada" (alerta amarelo) e evitou penalidades mais duras, como suspensão de vestibulares ou redução imediata de vagas. No entanto, sofreu sanção direta que a impede de ampliar sua oferta de novos alunos ou expandir a estrutura acadêmica até a divulgação dos resultados do Enamed de 2026 . A medida vale para todo o grupo Afya, que também teve cursos com nota 2 em Porto Velho (RO) e Santa Inês (MA), todos incluídos na mesma punição.

A Afya foi classificada na faixa de "restrição moderada" pelo MEC

O resultado contrasta com o desempenho das universidades públicas piauienses: a Universidade Federal do Piauí (UFPI), a Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) alcançaram conceito 4, considerado elevado. Já o Centro Universitário Afya Teresina e a Facid Wyden obtiveram conceito 3, o nível mínimo de suficiência.

A Afya Parnaíba cobra mensalidades que chegam a cerca de R$ 12 mil mensais, o equivalente a quase oito salários mínimos. A instituição terá prazo de 30 dias para apresentar manifestação inicial no processo de supervisão e, se desejar, recorrer das medidas impostas.

O que diz a direção do Grupo Afya

Em nota divulgada pela assessoria, a Afya informou que foi surpreendida com a publicação das portarias que instauram processos de supervisão, uma vez que ainda não recebeu retorno de todos seus recursos abertos no INEP, que podem alterar os resultados do ENAMED 2025.

O grupo afirmou que defende o exame, mas entende que essa primeira versão do exame foi bastante prejudicada por mudanças e divulgação de regras promovidas pelo MEC somente após a aplicação da prova, fatos que deverão ser avaliados e considerados em suas defesas administrativas e/ou judiciais.

A Afya disse ainda que  tem como prioridade  o Enamed 2026, com previsão de realização em setembro, na expectativa de que a Seres e o INEP contemplem no novo edital os ajustes metodológicos já apresentados em contatos com as respectivas técnicas do MEC e do próprio INEP.

Fonte: Ministério da Educação



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