Educação

Marina Piau pagou a conta do dentista e da fculdade com verba do IBAMA

Piauí Hoje

Teresinha

27 de fevereiro de 2008 às 03:02


GOIÂNIA - Não foi só com clínica de estética que a coordenadora do setor financeiro do Ibama de Goiás teria gastado verba pública para benefício pessoal. Marina de Fátima Piau Ferreira, 54 anos, também transferiu dinheiro para conta do dentista de Goiânia Frederico Augusto Machado de Araújo, 33.Parte dos recursos veio do programa "Gestão de Política de Meio Ambiente". Segundo advogados da família da servidora, a faculdade de sobrinhas foi paga dessa forma e o genro foi beneficiado após nascimento do neto.Todos os envolvidos no esquema, inclusive o dentista, alegam que não sabiam a origem do dinheiro depositado em suas contas. Frederico disse nem lembrar que tinha tratado de Marina. O último pagamento para ele foi feito em 13 de setembro de 2004: R$ 5.800 que saíram de "Ação Ambiental". Outros R$ 4 mil foram pagos em 29 de abril de 2004 e constam como "Apoio Administrativo". Segundo a auditoria que está sendo feita no órgão, o total recebido por ele chega R$ 13.095, somando-se quantias de anos anteriores.O dentista procurou o Ministério Público Federal assim que viu seu nome publicado, para prestar esclarecimentos. Ontem foi a vez do filho de Marina, José Ferreira de Araújo Neto, 26 anos, e do genro André Luís Mota de Andrade, 33. Ambos disseram ao procurador da República Cláudio Drewes que não sabiam que o dinheiro vinha dos cofres do Ibama. A conta do filho aumentou em R$ 54.597,69. Só no ano passado, foram mais de R$ 30 mil, com depósitos em torno de R$ 6 mil. José, que tem uma pequena empresa de comunicação, disse que acreditava que a ajuda dada pela mãe vinha dos rendimentos legais dela. "Marina tem um salário razoável. Ele tinha problemas financeiros, e ela fazia os depósitos para ajudar", afirmou o advogado da família, Hélio Francisco de Miranda.O genro, André Luís, ano passado recebeu R$ 5.500. Em 2006, R$ 13.736,50. Em 2005, foram R$ 14.948,49, num total de R$ 34.184,99. Segundo Hélio, o dinheiro foi destinado à filha de Marina, que havia dado à luz.Duas sobrinhas estão na lista feita pela auditoria do Ibama e divulgada pelo MPF: Ana Karina Gomes de Araújo, 24 anos, de Belém, e Sinara Alves Piau, 36. Segundo o advogado, as transferências para elas foram para custear a faculdade.O procurador acredita que a maioria dos beneficiados não sabia que se tratava de verba pública. A real inocência, porém, só será comprovada após inquérito da Polícia Federal. "Os depoimentos de hoje foram mais informais", explicou Drewes. Ele não descarta a participação de outros funcionários do Ibama e explica que, mesmo com gratificação, o salário de Marina não seria suficiente para distribuir tanto dinheiro. O valor da remuneração não foi divulgado.Depressão devido à divulgação do casoA divulgação de que teria usado dinheiro do Ibama em tratamento de beleza e para beneficiar pessoas que não prestaram serviço ao órgão abalou a auto-estima de Marina. A vaidosa servidora, que só com dinheiro público gastou R$ 23.300 em estética, teria, segundo seus advogados, entrado em depressão. Nota divulgada por eles conta que ela se internou em clínica de Goiânia, por orientação médica. Para evitar prisão preventiva, eles deixaram no MPF o passaporte de Marina, num sinal de que ela não sairá do País."Ela está nos revelando algumas coisas aos poucos, com dificuldade. Mas assim que ela se restabelecer, virá prestar todos os esclarecimentos", afirmou Hélio de Miranda. Ele disse à imprensa que os patrimônios da cliente são um apartamento do bairro Setor Bueno e uma chácara no município de Conceição de Aparecida. No Ibama, a auditoria nos gastos ordenados por Marina não param. Três auditores que vieram de Brasília trabalham intensamente no caso. A estimativa é de que o desvio tenha sido de pelo menos R$ 1 milhão, conforme O DIA noticiou segunda-feira. O órgão devolveu ontem processo que já move na Justiça Federal pedindo o bloqueio dos bens dos envolvidos, com documentos complementares exigidos pela 3ª Vara Federal de Goiânia, na expectativa de uma liminar. Para a Superintendência do Ibama, essa é a única maneira de o Estado reaver o dinheiro perdido.

Fonte: O DIA Online



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