O equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, que sobreviveu ao massacre com 72 mortos no Norte do México, fez uma dívida de US$ 11 mil para ir aos Estados Unidos, informa o jornal "El Universal". Ele teria a ajuda de um coiote - traficante de pessoas que trabalha como atravessador de imigrantes ilegais na fronteira americana. Ferido com um tiro, Pomavilla, que se fingiu de morto para escapar de supostos narcotraficantes, foi o responsável por levar fuzileiros navais ao rancho onde foram encontrados os corpos das vítimas, entre elas ao menos quatro brasileiros, segundo o Itamaraty.O vice-cônsul brasileiro no México, João Batista Zaidan, estava a caminho do local da chacina na manhã desta quinta-feira e disse que ainda não há novas informações. - Por aqui, estão falando que agiram tão friamente que foram eliminando um a um - disse Zaidan ao Globo, por telefone, sobre os supostos autores do massacre, integrantes do cartel de drogas "Los Zetas", acrescentando que não foram divulgadas as identidades dos brasileiros que teriam sido mortos. De acordo com reportagem do jornal mexicano "El Universal", o sobrevivente, de 18 anos, saiu há um mês de Ger, sua comunidade natal, localizada na província de Cañar, uma pobre área rural. Sua intenção era trabalhar nos EUA para manter sua esposa, Angelita Lala, de 17 anos, que está grávida de quatro meses. Seu primeiro filho morreu aos seis meses. Até a tarde de quarta-feira, quando foi divulgada a identidade do equatoriano, sua mulher não sabia de detalhes da chacina, da qual ele seria o único a ter escapado. - Há uma semana, (ele) me telefonou para dizer que estava bem e que chegou a Guatemala e ia seguir viajando - disse Angelita, segundo o jornal mexicano. Os pais de Pomavilla, Alejandro e Maria Oliva, moram nos EUA, há quatro e dois anos, respectivamente, segundo seu primo Héctor Lala contou ao "El Universal". Ele foi à casa de Angelita depois de ser informado que algo havia acontecido com o jovem. Nervosa, sua esposa tinha receio em conversar e disse que sua preocupação era saber como o marido estava. Terceiro filho de uma família de oito irmãos, Pomavilla, , que trabalhava com cultivo de milho, havia esperado completar 18 anos para viajar, segundo sua mulher. Ele contou a ela que equatorianos de outras comunidades também faziam o trajeto. A autoridades mexicanas, Pomavilla disse que a maioria dos mortos seria de seu país e do Brasil. O Itamaraty admite que pode haver mais de quatro brasileiros entre os mortos, dado baseado em documentos achados como grupo. Acredita-se que há também cidadãos de El Salvador e Honduras. A chancelaria equatoriana confirmou que Pomavilla é cidadão do país. O massacre é considerado um dos maiores desde que o presidente mexicano, Felipe Calderón, assumiu o poder, em 2006, e deu início a uma guerra contra o tráfico de drogas. Mais de 28 mil pessoas morreram desde então em episódios de violência ligados aos cartéis da droga.
Fonte: Agência Brasil