A Justiça do Pará já havia sido informada sobre a presença de uma mulher em uma cela com 20 homens, em Abaetetuba (PA), segundo a Polícia Civil do Estado. Nesta quinta-feira, em depoimento informal à Corregedoria, o delegado Fernando Cunha um dos três afastados depois que o caso veio à tona, apresentou uma ofício protocolado no fórum de Abaetetuba informando a juíza Clarice Maria de Andrade, da 3ª Vara Criminal de Abaetetuba, que a jovem dividia a cela com os homens e solicitando sua transferência. O documento é do dia 7 de novembro, 17 dias depois da prisão da garota por furto, em 21 de outubro, em flagrante. A menina, só deixou a cela no dia 14 de novembro, depois que um integrante do Conselho Tutelar foi à carceragem. "Solicito a vossa excelência, em caráter de urgência, a transferência da presa de Justiça (...) para ser custodiada no CRF da capital do Estado, uma vez que não possuímos cela para o abrigo de mulheres, estando a mesma custodiada juntamente com outros detentos, correndo risco de sofrer todo e qualquer tipo de violência por parte dos demais", diz o ofício. O ofício foi protocolado no fórum de Abaetetuba, mas a garota presa com os homens. Sem nenhuma decisão judicial que ordenasse sua transferência ao CRF (Centro de Recuperação Feminina), a Polícia Civil diz que não pôde transferi-la porque unidades prisionais não aceitam detentos nestas condições. Além de Cunha, superintendente da Polícia Civil em Abaetetuba, foram afastados por período indeterminado a delegada plantonista responsável pelo flagrante, Flávia Verônica e o delegado titular da Delegacia de Polícia de Abaetetuba, Celso Viana. Idade Nesta quinta, a os pais da garota depuseram à corregedoria. O pai da garota relatou ter sido ameaçado por policiais civis para que forjasse uma certidão de nascimento mostrando que a garota tem 20 anos de idade. A mãe manteve sua versão de que a filha tem 15 anos. Quando a garota foi presa, ela declarou ter 19 anos, mas o Conselho Tutelar também diz que ela tem 15 anos e está em poder de sua certidão de nascimento. A reportagem tentou entrar em contato com o Tribunal de Justiça do Pará, na noite desta quinta, mas ninguém atendeu os telefonemas.
Fonte: UOL