Educação

Infanticídio indígena no Brasil é destaque na imprensa americana

Piauí Hoje

Teresinha

27 de setembro de 2008 às 04:09


O infanticídio indígena, prática corrente em pelo menos 19 aldeias brasileiras, ganhou destaque esta semana na mídia americana. Dan Harris, jornalista da ABC News esteve no Brasil para fazer uma matéria sobre o tema. A publicação da matéria pela rede americana gerou debate nos Estados Unidos nos últimos dias. O jornal USA Today, o Canal CBN, e o programa Nightline, também da ABC, abordaram o assunto. A discussão também tomou corpo em programas de rádio e pela internet.As matérias mostram que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) não dá a devida atenção ao assunto, alegando o infanticídio é raríssimo, desviando o foco da discussão para a questão religiosa. Alegam que o que os missionários querem, por meio da campanha contra o infanticídio nas aldeias é justificar a evangelização das tribos.Estima-se que mais de 200 crianças indígenas de várias tribos são rejeitadas por suas comunidades, condenadas à morte por serem portadoras de deficiências físicas ou mentais, por serem gêmeas, ou filhas de mãe solteira. Por estas razões são enterradas vivas, envenenadas ou abandonadas na floresta. Muitas são recém-nascidas, outras são mortas aos 3, 5 e até 11 anos de idade."O problema do direito à vida das crianças indígenas vem à luz com essas reportagens e mostra que luta pelos direitos das crianças indígenas não é uma guerra religiosa", afirma a presidente da ong Atini - Voz pela Vida, Márcia Suzuki, que atua na defesa dos direitos das crianças indígenas.De acordo com ela, a única falha é que as matérias não abordam que são as famílias indígenas que estão lutando para salvar suas crianças, e estão pedindo ajuda da nossa sociedade. "A ausência dessa informação fundamental faz parecer que nosso movimento milita contra os indígenas. Isso é uma grande distorção, pois nosso movimento existe exatamente para dar voz a eles", diz.No final, a matéria da ABC, aponta para a vida, mostrando uma das crianças sobreviventes brincando, falando, sorrindo e saudável. O jornalista termina a matéria dizendo que olhando para ela, feliz e saudável, fica difícil dizer que teria sido melhor que ela tivesse sido morta.

Fonte: Agências



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