A superintendente regional do trabalho e emprego no Estado do Piauí, Paula Mazulo, em entrevista, hoje, ao programa Palavra Aberta, na TV Assembleia, sob o tema erradicação do trabalho infantil, declarou que os indicadores oficiais, neste sentido, apresentaram um crescimento superior a 11 por cento, o que é um número altamente significativa, sobretudo levando-se em conta os vícios acumulados ao longo dos anos. Destacou que estes índices são mais alentadores especialmente porque as políticas neste sentido são recentes, iniciadas há cerca de vinte anos, ou seja, dos anos noventa para cá, enfrentando situações muito complicadas, sobretudo no meio rural, onde os pais até consideram uma virtude colocar os filhos para trabalhar o mais cedo possível, até como forma de evitar que se encaminhem para a marginalidade. Isto sem contar com outro fator determinante, que é a extrema pobreza. Entretanto, destacou Paula Mazulo, ainda existem pontos críticos como, por exemplo, o trabalho doméstico e a agricultura familiar, onde as pessoas trabalham para contribuir com o aumento da renda familiar. Mas este fato, acrescenta ela, tem uma compensação nos programas sociais do Governo, como é o caso do Bolsa Família, hoje em franco funcionamento no País, promovendo a inclusão social de uma faixa muito grande da população. Outro setor que ainda apresenta uma incidência muito grande e de forma degradante, é a prostituição infantil, mas o poder público tem marcado presença na fiscalização e orientação dos pais, como também na repressão aos que exploram esta detestável prática, de modo que aí também há uma retração considerável dos infratores. Mesmo assim, ela considera que o trabalho precisa ser permanente e, sobretudo, é da maior importância contar com o envolvimento da sociedade. Citou também setores onde a mão de obra infantil era muito utilizada e que praticamente desapareceu, como é o caso dos supermercados. Neste tipo de estabelecimento comercial era muito comum serem encontra menores, crianças mesmo trabalhando, especialmente no setor de empacotamento, mas isto já não existe, pelo menos em grande escala, tanto por causa da fiscalização, como também porque os empresários do setor compreenderam a necessidade de mudança.
Fonte: Alepi