O delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benalussy, afirmou nesta terça-feira no Senado que a garota de 15 anos que permaneceu presa com 20 homens em uma cela de Abaetetuba sofre de "debilidade mental". A declaração do delegado-geral ocorreu em uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Casa marcada para discutir o caso. "Essa moça tem certamente alguma debilidade mental porque em nenhum momento ela manifestou sua menoridade penal", disse o delegado. A chefe de Benalussy, a governadora do Pará Ana Júlia Carepa (PT), também estava na audiência, mas desautorizou o delegado. "Não tem justificativa alguma. Se alguém tentar justificar, é um absurdo", afirmou Carepa. "Não vou tolerar esse tipo de barbaridade [a prisão da jovem]", completou. O presidente nacional de OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, também considerou absurda a argumentação do delegado. "Chegou-se ao ponto de dizer que poderia ter acontecido se ela não fosse adolescente", disse Britto. Depois de insinuar o retardo da garota, o delegado-geral admitiu que o sistema carcerário do Estado é precário. "A situação se agravou porque neste ano se prendeu quatro vezes mais que no ano passado", afirmou. Negligência A investigação da Corregedoria da Polícia Civil concluiu que a carceragem de Abaetetuba (PA) tinha outra cela, separada por grades, onde a garota poderia ter ficado isolada dos demais presos. Para a delegada Liane Martins, que conduz a investigação sobre a responsabilidade de três delegados de Abaetetuba no caso, há indícios de negligência por não terem investigado a idade da jovem eles disseram que, ao ser presa, a garota declarou ter nascido em 1987 e não portava documento. Segundo a delegada, a adolescente foi mantida presa com 12 homens, em média, enquanto outros oito presos, considerados mais perigosos, ficavam no espaço reservado, sem contato com os demais. A Polícia Civil não respondeu por que a garota não foi isolada nem a capacidade de cada cela. Segundo o órgão, juntas, as duas celas podem abrigar de 25 a 30 pessoas.
Fonte: Folha Online