Apenas duas semanas após o Governo Federal anunciar a exclusão de mais de 8 mil beneficiários do "Bolsa Família" no Maranhão, por não preencherem o perfil socioeconômico exigido pelo programa, surgem novas denúncias de famílias maranhenses que recebem o auxílio mensal, apesar de não se enquadrarem na situação de pobreza - renda per capita de até R$ 120,00 mensais -, condição do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para conceder a ajuda.As novas irregularidades na distribuição da verba do "Bolsa Família" foram constatadas em Alto Alegre do Pindaré, região centro-oeste do Estado. Entre as 4.142 famílias do município que recebem o benefício social, duas, comprovadamente, possuem renda per capita mensal muito acima de R$120,00 e não precisam do dinheiro do programa para garantir direitos básicos, tais como alimentação, saúde e educação, aos filhos.Maria do Socorro Nascimento Silva (57), moradora do povoado Auzilândia, é uma delas. A dona-de-casa é mulher do vice-prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Francisco Gomes Silva (PDT), conhecido como Edésio Gomes, que recebe da prefeitura salário de R$ 5.500,00 mais R$ 465,00 de aposentadoria como trabalhador rural.Além disso, Edésio Gomes declarou à Justiça Eleitoral possuir patrimônio estimado em quase R$ 60 mil, sendo uma propriedade rural, no valor de R$ 40 mil; uma casa (R$ 10 mil); uma moto (R$ 2 mil) e oito cabeças de gado (R$ 3,2 mil).Mesmo com um patrimônio razoável e a renda de quase R$ 6 mil do marido, Maria do Socorro recebe auxílio mensal de R$112,00 do Governo Federal para manter as filhas menores na escola: Suzana e Verônica Nascimento Silva, de 15 e 17 anos, respectivamente.Verônica Nascimento Silva, porém, não mora com os pais. A adolescente mudou-se para São Luís no início de fevereiro, onde cursa o último ano do ensino médio, e não tem como comprovar frequência escolar na rede pública do município, o que é exigido pelo MDS.VereadorOutra distorção na distribuição da verba do Programa Bolsa Família em Alto Alegre do Pindaré envolve o vereador José de Ribamar Rodrigues dos Santos (PMN), o Zé Cibica, cujo salário pago pela Câmara Municipal é de R$ 3.700, brutos.A mulher de Cibica, a também dona-de-casa Maria Edileuza Lopes, consta na relação de beneficiários do município e recebeu o auxílio do programa federal de transferência de renda nos três meses subsequentes à posse do marido como vereador.Para Edileuza Lopes, o Governo Federal paga mensalmente R$ 152,00. São dependentes dela, conforme consta no cadastro, os filhos Joseane Lopes dos Santos (16) e Ailson Lopes dos Santos (14). Os netos Kauani dos Santos Moraes (7) e Ana Caroline dos Santos Melo (6) também constam da lista.A exemplo do vice-prefeito pedetista, Zé Cibica é morador de Auzilândia e possui como fonte de renda, além da política, o trabalho como pequeno produtor rural. Para a Justiça Eleitoral, o vereador declarou ser dono de uma propriedade rural avaliada em R$ 30 mil, e ainda 30 cabeças de gado (R$ 10 mil), uma casa (R$ 20 mil) e uma moto, modelo Bros, da Honda (R$ 3 mil). Valor total do patrimônio: R$ 63 mil.Sem explicaçõesO vice-prefeito pedetista não foi localizado quando procurado para comentar sobre o assunto. A mulher de Edésio Gomes confirmou o recebimento dos R$ 112,00 mensais do "Bolsa Família" e ainda quis saber se era possível fazer a inclusão da neta, procedente de Manaus.A Secretária de Assistência Social, Edna Barros, e o vereador Zé Cibica também não foram encontrados no município. Na prefeitura, informaram que Edna estava viajando. Já o prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Atenir Ribeiro Marques, disse não ter conhecimento das irregularidades, mas que iria adotar as providências cabíveis.Desvio de FinalidadeO programa Bolsa Família foi criado em 2003, para ajudar a combater a fome e a miséria no país. Cada família recebe entre R$ 20 e R$ 182 reais, de acordo com a renda e o número de filhos. Para ser beneficiário o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), exige que o valor da renda per capita mensal não ultrapasse R$ 120,00 e que haja comprovação da freqüência escolar dos dependentes.Mas, em Alto Alegre do Pindaré, aparentemente, os os critérios do MSD não são levados em conta na hora da concessão do auxílio. Caso contrário, a atendente do posto de saúde de Auzilandia, Josélia Oliveira de Lacerda, de 18 anos, não seria beneficiária. A jovem, mesmo após ser contratada pela prefeitura do munícipio, em janeiro desse ano, permaneceu como dependente da mãe, Maria Oliveira de Lacerda, no Cadastro Único para programas Sociais (CadÚnico). No total, a família de Josélia recebe do Governo Federal um valor mensal de R$ 112,00.
Fonte: Imirante