Educação

Famílias de 11,5 milhões de brasileiros são de baixa renda

Piauí Hoje

Teresinha

22 de janeiro de 2008 às 03:01


No Brasil, há 20,6 milhões de crianças com idade até seis anos, o que equivale a 11% da população. Trata-se da maior população das Américas nessa faixa etária. Desse total, 11,5 milhões vivem em famílias com renda mensal per capita inferior a meio salário mínimo - mais da metade é negra e 4,7 milhões são de famílias beneficiadas pelo Bolsa-Família. Os números constam no relatório Situação Mundial da Infância 2008, divulgado nesta terça-feira, 22, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).A edição brasileira do relatório deste ano tem como foco os seis primeiros anos de vida, a chamada primeira infância, considerada fundamental para o desenvolvimento físico e mental do indivíduo. De acordo com o Unicef, o Brasil avançou em inúmeras áreas. Caíram a mortalidade infantil e o índice de desnutrição e, pela primeira vez desde 1999, nenhum estado brasileiro apresentou Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI) abaixo de 0,500, que o Unicef considera baixo.Em 1999, sete estados tinham IDI baixo. Naquele ano, nenhum estado tinha IDI elevado (acima de 0,800). Em 2006, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro registraram índice acima de 0,800. Os menores IDIs estão no Nordeste (0,647) e Norte ( 0,655) do paísNo que se refere à mortalidade infantil, o relatório mostra que em 1990 a taxa entre crianças de até um ano de idade era de 46,9 para cada mil. Em 2006, este índice caiu para 24,9. No mesmo período, a redução de mortalidade entre crianças até cinco anos de idade foi de cerca de 50%.O relatório revela, no entanto, os números da exclusão no Brasil: as crianças pobres têm duas vezes mais chances de morrer do que as ricas. A taxa de mortalidade também é maior entre a população indígena (48,5 para cada mil nascidos vivos) e entre filhos de mães negras - 27,9 por mil, 37% acima do que entre filhos de mães brancas. Por estados, os maiores índices estão em Alagoas, Maranhão, Pernambuco e Paraíba. A menor taxa de mortalidade é registrada nos estados do Sul e Sudeste: Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.O Unicef cita dados do Ministério da Saúde que indicam que nos últimos cinco anos caiu mais de 60% o número de crianças desnutridas com até um ano de idade. Restam, no país, 60 mil crianças abaixo do peso nessa faixa etária. Na faixa até dois anos, a redução foi de 72,4% - apenas 3,5% das crianças estão abaixo do peso.Ainda assim, no Nordeste o número é quatro vezes maior do que na Região Sul. O pior índice está em Alagoas, onde a desnutrição atinge 7% dos meninos e meninas com menos de dois anos de idade. O Distrito Federal tem o melhor resultado - apenas 0,7% de crianças são desnutridas nessa idade.Na área de educação, apenas 15,5% dos 11,26 milhões de meninos e meninas com menos de três anos freqüentam creches. Embora muito baixo, o índice é melhor do que os 10,7% registrados em 2001. Na faixa entre quatro e seis anos de idade, 76% de um total de 9,39 milhões de crianças estão matriculados na pré-escola - acima dos 65,6% de 2001.Embora a redução da mortalidade materna faça parte do quinto Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, o número cresceu 2,1% no Brasil entre 2000 e 2005, passando de 52,3 mulheres para 53,4 por cem mil. O maior aumento ocorreu no Centro-Oeste (39,3%), seguido do Nordeste (16,3%) e Sul (2,1%). No Sudeste houve queda de 15,6% na mortalidade materna e no Norte, redução de 7,7%.

Fonte: Agência Brasil



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