Educação

Espécies de siris provocam desequilíbrio ambiental no Maranhão

Piauí Hoje

Teresinha

22 de novembro de 2008 às 03:11


SÃO LUÍS - O siri invasor tem o corpo coberto de espinhos e é agressivo. Ele está acabando com os siris nativos que garantiam a alimentação e a renda de milhares de famílias no Maranhão.O charybdis hellerii veio dos oceanos Índico e Pacífico e chegou aqui de carona. Isso porque, quando um navio descarrega, fica mais leve; para melhorar a estabilidade, a tripulação enche os porões com água. Esse lastro acaba trazendo milhares de larvas de siris. Em outro porto, a embarcação despeja parte dessa água e deixa no local minúsculos passageiros clandestinos.Pela lei, cabe à marinha monitorar a água de lastro, mas o comandante Luiz Carlos de Melo admite que a fiscalização é falha. "Não posso assegurar 100% dos navios são inspecionados, isso é humanamente impossível", diz.O siri que invadiu a costa maranhense é apenas um exemplo do perigo que se esconde nos porões dos navios. Pesquisadores da Organização Mundial de Saúde estimam que, todos os dias, mais de sete mil espécies de microorganismos vivos são transportados nas embarcações que cruzam os oceanos.O mexilhão dourado veio dos rios da Ásia; chegou à Argentina na década de 90 e se espalhou pelo Paraguai, Uruguai e parte do Brasil. O molusco gruda nas turbinas e prejudica o funcionamento das usinas hidroelétricas.Outra ameaça que veio da Ásia é o coral sol. Ele tomou conta de 20 quilômetros do canal da Ilha Grande, no litoral fluminense, e agora chegou a Ilhabela , em São Paulo. Sua beleza esconde um predador perigoso capaz de eliminar todos os corais nativos.No Maranhão, a proliferação do siri invasor preocupa os cientistas. "Se reproduzindo mais rápido, o siri invasor vai acabar se sobressaindo à população do siri nativo. A tendência é que a espécie seja extinta", explica a pesquisadora Bruna Martins, da Universidade Federal do Maranhão.Na UFMA, os cientistas estudam maneiras de conter essa praga. Eles já sabem que o siri é rico em cálcio e pode ser usada na produção de farinha ou de ração para peixes.A melhor maneira de proteger a fauna nativa envolve uma mudança de paladar: os pesquisadores querem desenvolver receitas culinárias para acostumar a população ao sabor do siri asiático. "Precisamos tentar convencer as pessoas de que consumir o siri invasor não custa nada, é só uma forma de amenizar o impacto que ele está causando", diz o pesquisador Randolfo Azevedo.

Fonte: Imirante



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