Educação

Escuta clandestina feita no gabinete do ministro Gilmar Mendes virou r

Piauí Hoje

Teresinha

31 de agosto de 2008 às 03:08


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, conversou ontem (31) por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possível gravação de sua conversa por telefone com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), divulgada em matéria da Revista Veja. De acordo com a assessoria de imprensa do Supremo, os dois presidentes acertaram um encontro para a próxima semana, mas não definiram o dia. De acordo com a reportagem, um servidor da Abin passou as informações à revista, sob a condição de se manter no anonimato. Segundo seu relato, a escuta clandestina feita no gabinete do ministro não é um ato isolado e sim uma rotina. O funcionário relatou que, neste ano, somente no seu setor, já passaram interceptações telefônicas de conversas do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e de mais dois ministros que despacham no Palácio do Planalto Dilma Rousseff, da Casa Civil, e José Múcio, das Relações Institucionais Em Atibaia (SP) hoje, onde participava de um evento, Mendes classificou a interceptação do telefonema como "atentado contra o STF, o Judiciário e a democracia", segundo a assessoria. Na segunda-feira (1º), Gilmar Mendes vai se reunir com os outros ministros da Corte para discutir "a gravidade"da denúncia. A situação levou ao cancelamento de uma viagem que o o presidente do STF faria à Coréia do Sul a partir de segunda-feira. Segundo o site do STF, ele iria participar do simpósio internacional de celebração pelo 20º aniversário da Corte Constitucional coreana. Mendes falaria na próxima quarta-feira (3) num painel com os presidentes das cortes supremas da Armênia, Alemanha, Cazaquistão e Eslovênia. O tema programado era "Os novos desafios para a garantia constitucional no século 21: perspectiva brasileira". Abin A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) informou, por meio de nota, que vai investigar as denúncias veiculadas na revista "Veja" desta semana. No comunicado, a Abin afirmou que será aberta uma sindicância na Corregedoria Geral da agência para investigar o envolvimento de seus servidores. Também será solicitado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República o acionamento da Procuradoria Geral da República e do Ministério da Justiça para que investiguem e esclareçam os fatos. A Direção Geral da Abin também reiterou "a confiança funcional da instituição" e o desejo de que as acusações sejam esclarecidas. Dantas Os registros a que a revista teve acesso mostram que o senador Demóstenes Torres ligou para o ministro Gilmar Mendes às 18h29 para tratar de um problema relacionado à CPI da Pedofilia. No momento, o presidente do STF não pode atender, mas três minutos depois sua secretária retornou a ligação para o senador. O telefonema foi transferido para o celular do ministro. A conversa foi rápida. O presidente do Supremo agradeceu a Torres pelo pronunciamento no qual havia criticado o pedido de impeachment protocolado contra ele no Congresso. Na semana anterior, Mendes havia mandado soltar o banqueiro Daniel Dantas, o que provocou, além do pedido de impeachment, uma polêmica entre o STF, Polícia Federal e Ministério Público. Com isso, a PF e a Abin decidiram "confirmar" que alguma coisa de errada estava se passando no gabinete do ministro e grampearam todos os telefones, segundo a revista. VejaReportagem da revista "Veja" desta semana mostra que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, teve todos os telefones de seu gabinete grampeados por arapongas da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Um conjunto de documentos e informações foi consultado pela reportagem e, entre eles, está um diálogo telefônico de pouco mais de dois minutos entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), gravado no fim da tarde do último dia 15 de julho passado. A reportagem traz a íntegra da conversa. Não há relevância temática, mas prova a ilegalidade da espionagem. De acordo com a reportagem, um servidor da Abin passou as informações à revista, sob a condição de se manter no anonimato. Segundo seu relato, a escuta clandestina feita contra o ministro não é um ato isolado e sim uma rotina. O funcionário relatou que, neste ano, somente no seu setor, já passaram interceptações telefônicas de conversas do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, e de mais dois ministros que despacham no Palácio do Planalto Dilma Rousseff, da Casa Civil, e José Múcio, das Relações Institucionais. Há também telefones grampeados no Congresso, como do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB), e dos senadores Arthur Virgílio, Alvaro Dias e Tasso Jereissati, todos doPSDB, e também de Tião Viana (PT). Segundo a reportagem, Viana foi alvo recentemente e a interceptação teria o objetivo "de acompanhar como ele está articulando sua candidatura à presidência do Senado". Segundo a revista, as gravações são base para relatórios que tem como destino final o presidente Lula, no entanto, isso não significa que ele tenha conhecimento de que seus principais assessores estejam grampeados ou que dá aval para operação. A revista informa que há três semanas publicou reportagem informando que o presidente do STF era espionado pela agência. O diretor da Abin, Paulo Lacerda, foi ao Congresso e negou a possibilidade de seus arapongas estarem envolvidos em atividades clandestinas. Dantas Os registros a que a revista teve acesso mostram que o senador Demóstenes Torres ligou para o ministro Gilmar Mendes às 18h29 para tratar de um problema relacionado à CPI da Pedofilia. No momento, o presidente do STF não pôde atender, mas três minutos depois sua secretária retornou a ligação para o senador. O telefonema foi transferido para o celular do ministro. A conversa foi rápida. O presidente do Supremo agradeceu a Torres pelo pronunciamento no qual havia criticado o pedido de impeachment protocolado contra ele no Congresso. Na semana anterior, Mendes havia mandado soltar o banqueiro Daniel Dantas, o que provocou, além do pedido de impeachment, uma polêmica entre o STF, Polícia Federal e Ministério Público. Com isso, a PF e a Abin decidiram "confirmar" que alguma coisa de errada estava se passando no gabinete do ministro e grampearam todos os telefones, segundo a revista.

Fonte: UOL



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