Das 58 empresas responsáveis pelas ações que compõem o índice Ibovespa, referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), 50 (86,2%) perderam valor de mercado (soma do valor de suas ações) neste ano em relação a 2007, segundo a consultoria Economatica.No entanto, há oito empresas, entre as 58 do Ibovespa, que, apesar da crise, registraram crescimento em seu valor de mercado. O banco Nossa Caixa teve sua marca valorizada pela provável compra pelo Banco do Brasil, tendo registrado alta de 120,15% em seu valor de mercado. As outras sete empresas são Natura (26,29%), Ultrapar (25,26%), Brasil Telecom (19,87%), CTEEP (17,51%), Souza Cruz (6,53%), Eletrobras (5,08%) e Telesp (4,46%).Empresas Valor de mercado em 31/12/2007 Valor de mercado em 13/11/2008 Variação (%) Petrobras R$ 429,923 bilhões R$ 208,115 bilhões -51,59% Vale R$ 270,438 bilhões R$ 137,708 bilhões -49,07% Itaú R$ 105,930 bilhões R$ 69,133 bilhões -34,73% Bradesco R$ 107,474 bilhões R$ 67,182 bilhões -37,48% Ambev R$ 77,936 bilhões R$ 60,441 bilhões -22,44% Itaúsa R$ 48,495 bilhões R$ 36,410 bilhões -24,92% Banco do Brasil R$ 75,269 bilhões R$ 36,170 bilhões -51,94% Unibanco R$ 51,786 bilhões R$ 33,494 bilhões -35,22% Eletrobras R$ 26,810 bilhões R$ 28,172 bilhões 5,08% Telesp R$ 22,872 bilhões R$ 23,894 bilhões 4,46% Gerdau R$ 32,239 bilhões R$ 19,208 bilhões -40,41% CSN R$ 40,423 bilhões R$ 17,706 bilhões -56,19% Redecard S.A. R$ 19,382 bilhões R$ 17,289 bilhões -10,79% Brasil Telecom R$ 13,195 bilhões R$ 15,818 bilhões 19,87% Souza Cruz R$ 14,734 bilhões R$ 15,697 bilhões 6,53% Cemig R$ 16,078 bilhões R$ 15,469 bilhões -3,78% CPFL Energia R$ 16,159 bilhões R$ 14,868 bilhões -7,98% Telemar Norte Leste S.A. R$ 20,462 bilhões R$ 12,436 bilhões -39,22% Telemar R$ 16,157 bilhões R$ 11,284 bilhões -30,16% Usiminas R$ 27,075 bilhões R$ 10,942 bilhões -59,58% Brasil Telecom Participações R$ 12,147 bilhões R$ 10,417 bilhões -14,24% Natura R$ 7,289 bilhões R$ 9,206 bilhões 26,29% CCR Rodovias R$ 11,085 bilhões R$ 8,586 bilhões -22,54% Tim Participações S.A. R$ 16,035 bilhões R$ 8,478 bilhões -47,12% Vivo R$ 15,701 bilhões R$ 8,470 bilhões -46,05% Pão de Açúcar-CBD R$ 8,262 bilhões R$ 8,198 bilhões -0,77% Metalúrgica Gerdau S.A. R$ 12,927 bilhões R$ 7,970 bilhões -38,34% Perdigão S.A. R$ 8,149 bilhões R$ 6,960 bilhões -14,59% All América Latina Logística R$ 14,590 bilhões R$ 6,586 bilhões -54,85% CTEEP R$ 5,568 bilhões R$ 6,543 bilhões 17,51% Bradespar R$ 17,124 bilhões R$ 6,480 bilhões -62,15% Ultrapar R$ 5,086 bilhões R$ 6,371 bilhões 25,26% Copel R$ 7,727 bilhões R$ 6,085 bilhões -21,25% Embraer R$ 14,919 bilhões R$ 5,905 bilhões -60,41% Sabesp R$ 9,371 bilhões R$ 5,864 bilhões -37,42% JBS R$ 6,464 bilhões R$ 5,716 bilhões -11,57% Nossa Caixa R$ 2,526 bilhões R$ 5,561 bilhões 120,15% Lojas Americanas R$ 11,660 bilhões R$ 5,186 bilhões -55,52% Eletropaulo R$ 6,075 bilhões R$ 4,453 bilhões -26,69% Light S.A. R$ 5,829 bilhões R$ 4,269 bilhões -26,76% NET R$ 8,199 bilhões R$ 4,150 bilhões -49,38% Cesp R$ 13,251 bilhões R$ 4,007 bilhões -69,76% Comgás R$ 4,680 bilhões R$ 3,800 bilhões -18,80% Klabin S.A. R$ 9,575 bilhões R$ 3,571 bilhões -62,70% Braskem R$ 6,351 bilhões R$ 3,569 bilhões -43,80% VCP R$ 11,063 bilhões R$ 3,409 bilhões -69,18% Cosan R$ 5,669 bilhões R$ 3,406 bilhões -39,91% Aracruz R$ 14,735 bilhões R$ 3,116 bilhões -78,85% Sadia S.A. R$ 6,777 bilhões R$ 3,078 bilhões -54,58% B2W Varejo R$ 7,950 bilhões R$ 2,968 bilhões -62,66% Cyrela Realty R$ 8,607 bilhões R$ 2,760 bilhões -67,93% TAM S.A. R$ 6,422 bilhões R$ 2,620 bilhões -59,20% Duratex R$ 5,376 bilhões R$ 1,863 bilhão -65,34% Lojas Renner R$ 4,377 bilhões R$ 1,799 bilhão -58,89% Gol R$ 8,853 bilhões R$ 1,622 bilhão -81,67% Celesc R$ 1,814 bilhões R$ 1,386 bilhão -23,59% Gafisa R$ 4,297 bilhões R$ 1,214 bilhão -71,74% Rossi Residencial S.A. R$ 3,553 bilhões R$ 606 milhões -82,94% Como reflexo da crise que começou no setor imobiliário norte-americano e se espalhou para os mercados financeiros mundiais, as empresas dos setores da construção, de papel e celulose e de transporte aéreo estão entre as que mais perderam valor de mercado no período. Entre as empresas que fazem parte do índice Ibovespa, a Rossi Residencial (construção) registrou a maior queda (-82,94%). Em 31 de dezembro de 2007, o valor de mercado da empresa era de R$ 3,553 bilhões, contra R$ 606 milhões no dia 13 de novembro. Outras duas empresas do setor - Gafisa e Cyrela Realty - tiveram redução de 71,74% e 67,93%, respectivamente. No período analisado, o valor de mercado da Gafisa caiu R$ 4,297 bilhões para R$ 1,214 bilhão e da Cyrela Realty, de R$ 8,607 bilhões para R$ 2,76 bilhões. As empresas do setor de papel e celulose que compõem o índice Ibovespa também tiveram queda acima de 60%. O valor de mercado da Klabin caiu 62,7%; o da Votorantim Celulose e Papel (VCP), 69,18%; e o da Aracruz, 78,85%.A companhia aérea Gol registrou a segunda maior queda no valor de mercado - 81,67%, de R$ 8,853 bilhões para R$ 1,622 bilhão. Já a TAM perdeu 59,2% de seu valor - em dezembro de 2007, totaliza R$ 6,422 bilhões, contra R$ 2,620 bilhões agora. Das maiores empresas com valor de mercado na Bovespa, a Petrobras perdeu 51,59% do valor e a Vale, 49,07%.Na média, o valor de mercado das 58 empresas caiu 41% em 13 de novembro deste ano na comparação com 31 de dezembro de 2007. No ano passado, o valor de mercado das 58 companhias totaliza R$ 1,762 trilhão, contra R$ 1,037 trilhão registrado na última quinta.Para o analista Pedro Galdi, da corretora SLW, a recuperação do valor dos papéis das empresas deve levar algum tempo."Pelo cenário econômico, não dá para dizer que a bolsa vai retomar patamares de antes da crise em seis meses", afirmou Galdi. Segundo ele, a quebra de bancos "gerou uma crise de desconfiança muito grande, que levou a maior aversão ao risco, e as bolsas do mundo todo entraram em colapso". Além disso, Galdi ressalta que houve fuga grande de investimentos estrangeiros do país."Neste ano, o fluxo de investimentos estrangeiros no Brasil está negativo em mais de R$ 23 bilhões. Isso gera uma desvalorização maciça", disse o analista, destacando que o cenário econômico deve apresentar melhoras a partir do segundo trimestre de 2009.Para Galdi, o caso da Nossa Caixa, que registrou o maior crescimento no valor de mercado - 120,15%, de R$ 2,526 bilhões para R$ 5,561 bilhões, "é reflexo do interesse do Banco do Brasil pela instituição e também devido à fusão Itaú e Unibanco, que animou o mercado".Na avaliação de Gustav Gorski, economista do banco Geração Futuro, a queda no valor de mercado das empresas é motivada mais pelas preocupações do mercado do que propriamente pela queda do faturamento e dos lucros das empresas.Para Gorski, a queda no valor de mercado das empresas "não condiz com os resultados das empresas", sendo provocada mais pelo "temor" dos investidores. "O que se percebe é que, até o momento, os balanços das empresas ainda não foram muito afetados", disse.
Fonte: G1