O juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, revelou que vários partidos receberam dinheiro domsusposto esquema que envolvia quatro executivos da Camargo Corrêa, uma das maiores empreiteiras do Brasil, presos na quarta-feira (25), sob suspeita de terem feito remessas ilegais de dinheiro para o exterior. No total, dez pessoas foram presas pela Polícia Federal na operação Castelo de Areia.O juiz menciona o relatório: numa das conversas entre dois diretores da construtora, o assunto teria sido a suposta divisão de R$ 500 mil entre duas pessoas.No mesmo parágrafo, o juiz diz: "constaria distribuição de dinheiro a diversos partidos, como PPS, PSB, PDT, DEM e PP". Também são citados o PSDB e PS, este último não aparece na lista de partidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No relatório, o delegado também afirma que um dos diretores da Camargo Corrêa teria inclusive um pen drive com uma lista de contribuições eleitorais em que constariam os indivíduos que teriam sido pagos. E o juiz complementa: os supostos intermediários da Camargo Corrêa seriam pessoas eventualmente vinculadas à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que estariam encarregadas de distribuir o dinheiro para funcionários públicos que ocupam cargos relevantes em Brasília. Seriam pagamentos "por fora", destinados a campanhas políticas e à obtenção de "benefícios indevidos em obras públicas". "Fica claro que algumas doações que foram efetuadas realmente não estavam contabilizadas por parte do grupo Camargo Corrêa e que tinham a finalidade de beneficiar partidos políticos eventualmente em troca de favores futuros ou atuais", afirma a procuradora da República Karen Kahn.Segundo a polícia, R$ 1,5 milhão foi apreendido com um doleiro no Rio. Em São Paulo, as secretárias de dois executivos presos também tiveram prisão decretada. No caso delas, a prisão é por cinco dias. O que dizem as instituições citadas pela PF O advogado da empreiteira disse que empresa foi pega de surpresa e que não sabe o porquê das diligências. Ele afirmou, no entanto, que a Camargo Corrêa irá cooperar com todas as investigações e que está certa de que sua isenção será demonstrada. Ele reiterou que a empresa confia na Justiça.Em nota, a empreiteira disse que "vem a público manifestar sua perplexidade diante dos fatos ocorridos" e que "cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações legais, gerando mais de 60 mil empregos no Brasil e em 20 países em que atua."Segundo a Camargo Corrêa, em 2008, o grupo faturou cerca de R$ 16 bilhões, "gerando riqueza ao país e às comunidades em que suas empresas estão inseridas". O grupo reafirmou que confia em seus diretores e funcionários e que repudia a forma como foi constituída a ação, "atingindo e constrangendo a comunidade Camargo Corrêa e trazendo incalculáveis prejuízos à imagem de suas empresas".Em nota, a Fiesp declarou que não se envolve em relações entre as empresas que representa e os partidos políticos e candidatos. A Fiesp acrescentou que não teme qualquer investigação e que confia na Justiça. A assessoria do PP afirmou que toda doação de campanha recebida pelo partido está na prestação de contas encaminhada ao TSE. O PSDB declarou que, em diversas campanhas eleitorais, recebeu doações da empresa Camargo Corrêa dentro da lei e que desconhece empresa ou doador que tenha atuado fora dos limites legais. O PSB afirmou que só recebe contribuições do fundo partidário, de seus filiados e de empresas brasileiras, de acordo com a lei, e que desconhece qualquer doação irregular. O PDT afirmou que jamais recebeu doações ilegais e que a prestação de contas do partido foi totalmente aprovada pela Justiça Eleitoral. O PPS negou ter recebido doação da construtora Camargo Corrêa e afirmou que não aceita nenhuma doação de recursos não contabilizados. O partido repudiou o que chamou de "uso político da Polícia Federal pelo governo para atingir partidos de oposição". E declarou que vai responsabilizar criminal e civilmente os autores da acusação.O DEM declarou que jamais aceitou qualquer doação ilegal para campanhas eleitorais e que todos os atos relativos às eleições foram de acordo com a lei. A Petrobras declarou que não considera ter havido superfaturamento na obra, mas que suspendeu o pagamento acatando decisão do TCU.
Fonte: G1