Beneficiados por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e o investidor Naji Nahas, presos durante a Operação Satiagraha, deixaram a carceragem da Polícia Federal (PF) às 0h55 desta sexta-feira (11).Gilmar Mendes mandou soltar Pitta e Nahas nesta quinta-feira (10). Eles passaram duas noites na carceragem da PF e foram soltos cerca de seis horas após a decisão do STF.O ministro estendeu a eles o habeas corpus concedido na noite de quarta (9) ao banqueiro Daniel Dantas e à irmã dele, Verônica, e a outras nove pessoas que tiveram a prisão decretada. Daniel Dantas, porém, foi preso novamente horas após ser liberado pelo habeas corpus do STF.BeneficiadosAlém de Pitta e Nahas, foram beneficiadas pela decisão outras nove pessoas que tiveram a prisão decretada: o filho e funcionário de Nahas, Fernando Naji Nahas, o doleiro Miguel Jurno Neto, Roberto Sande Caldeira Bastos, também funcionário de Nahas, os doleiros Carmine Henrique, Carmine Henrique Filho e Marco Ernest Matalon, além dos funcionários de Naji Nahas Antonio Moreira Dias Filho e Maria do Carmo Antunes Jannini e o doleiro Lúcio Funaro. Miguel Jurno Neto, Fernando Naji Nahas, Lúcio Funaro e Marco Ernest Matalon não chegaram a ser presos."Defiro o pedido de medida liminar para que sejam suspensos os efeitos do decreto de prisão temporária expedido pelo Juízo da 6ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária de São Paulo", destacou Gilmar Mendes, em sua decisão.Ele encaminhou cópia da decisão para o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, com sede em São Paulo, para a corregedoria-geral da Justiça Federal da 3ª Região, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Nacional de Justiça.Preso outra vezHoras depois de ser liberado, o banqueiro Daniel Dantas voltou a ser preso nesta quinta, em um escritório na Avenida Nove de Julho, na capital paulista. Os motivos da nova prisão, segundo a PF, foram "documentos encontrados nas buscas realizadas na terça-feira (8)" e do depoimento de uma testemunha, "que fortaleceram a ligação entre o preso e a prática do crime de corrupção (suborno) contra um policial federal que participava das investigações".Segundo o procurador da República Rodrigo de Grandis, a prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas foi baseada em documentos apreendidos durante a operação da PF e nada tem a ver com a primeira prisão. "São elementos diversos, novos, que surgiram na tarde de ontem (quarta-feira). Esses elementos não existiam na primeira decisão do juiz (federal Fausto) de Sanctis", disse, em entrevista coletiva na tarde desta quinta.O advogado de Dantas, Nélio Machado, afirmou que o banqueiro não tem nenhum envolvimento em suposta tentativa de suborno de um delegado da PF que estaria atuando na Operação Satiagraha. "Não tenho notícia de nenhum procedimento do senhor Daniel Dantas que não seja através de seus advogados. Eu repilo, na realidade, qualquer acusação sobre o suposto suborno em cenas que eu conheço apenas pela televisão. Eu não sei explicar (as imagens) porque não sei o contexto dessas imagens", disse.
Fonte: G1