Educação

Capitão acusado de matar irmãos médicos no Ceará não foi expulso da PM

Piauí Hoje

Teresinha

07 de novembro de 2007 às 03:11


O capitão Daniel Gomes Bezerra deverá ir a júri popular entre o período de novembro de 2008 a março de 2009. A previsão é da defesa do militar, acusado da morte dos irmãos Marcelo e Leonardo Teixeira, em março deste ano, no município de Iguatu, a 377 quilômetros de Fortaleza. Segundo o advogado do capitão, Delano Cruz, o caso sofre uma "resistência processual", por conta da interferência do governador Cid Gomes. De acordo com o advogado, o governador se envolveu emocionalmente e politicamente com a família das vítimas para então decretar a expulsão de Daniel Gomes dos quadros da Polícia Militar, em ato no dia 17 de julho, durante sessão itinerante do Governo, em Mombaça."O governador foi à Missa de 7º Dia dos irmãos e o deputado federal Ciro Gomes, irmão do governador, anunciou na região, 20 dias antes, que o capitão Daniel seria expulso da corporação. Essa decisão do governador foi um ato político, tanto que o capitão continua com sua patente e recebendo seu salário a cada mês", disse o advogado ao O POVO, que informou ainda que o processo chegou ao Tribunal de Justiça, em setembro.Segundo a Coordenadoria Geral de Comunicação do Governo do Estado, o governador Cid Gomes nunca decretou a expulsão sumária do capitão, mas sim assinou um ato de recomendação para a expulsão de Daniel Gomes dos quadros da Polícia Militar. De acordo ainda com a coordenadoria, Cid Gomes decidiu não mais comentar o assunto, desde a recomendação à Justiça.Quase oito meses após o assassinato dos irmãos, o militar decidiu falar à imprensa, durante uma entrevista à TV Jangadeiro, exibida ontem no programa Barra Pesada. Daniel Gomes assegurou que não conhecia Marcelo e Leonardo Teixeira e sustentou que fora agredido pelos irmãos. O capitão garantiu ainda que implorou para que os irmãos parassem de bater nele.Na entrevista, Daniel Gomes afirmou que viu o revólver no chão e pegou a arma para se defender. Assegurou que o revólver calibre 38, cano curto, pertenceria a um dos irmãos. No entanto, não soube informar o destino da arma após a sua fuga do local do duplo homicídio. Encerrou a entrevista pedindo perdão aos pais de Marcelo e Leonardo e manifestando o desejo em continuar nos quadros da PM.As declarações do militar quase nada diferenciaram de seus depoimentos à Justiça. A família das vítimas sempre negou que a arma pertencesse a um dos irmãos, como ainda que eles tivessem agredido o militar. O advogado Delano Cruz comentou ao O POVO que somente na tarde de ontem havia recebido mais de 30 mensagens eletrônicas com ameaças à sua família. "Escreveram que fariam mal a meus filhos e disseram até onde eles estudam. Mas isso não me intimida a desistir da defesa do capitão", ressaltou.ENTENDA O CASO17 de março - Os irmãos Marcelo Moreno, 26 anos, e Leonardo Teixeira, 24 anos, estudantes de Medicina, foram assassinados por volta das 3 horas em uma churrascaria em Iguatu. O autor do duplo assassinato é o capitão da PM, Daniel Gomes Bezerra, então comandante do destacamento de Mombaça. De acordo com o processo, Marcelo foi urinar próximo ao carro do capitão, onde a filha de sua esposa dormia. Após discussão, o oficial da PM atira no abdome dos irmãos. O capitão se apresenta em uma delegacia e é detido sem a arma do crime. Ele é conduzido ao xadrez do Batalhão de Choque, em Fortaleza.18 de março - Justiça determina a prisão provisória de Daniel Gomes.22 de março - Capitão Daniel Gomes depõe na Superintendência da Polícia Civil, onde é vaiado pela população.23 de março - Weruska Gomes, mulher do capitão Daniel, também depõe. Ela mantém a versão da defesa, que o revólver utilizado pelo PM pertenceria a um dos rapazes mortos.19 de abril - Capitão Daniel Gomes depõe em Iguatu, sob forte esquema de segurança.17 de julho - Governador Cid Gomes assina em Mombaça ato que recomenda expulsão do capitão Daniel Gomes dos quadros da PM.

Fonte: O Povo



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