Quatro cães farejadores vão tentar encontrar os corpos de duas crianças desaparecidas desde o rompimento da barragem de Algodões 1, em Cocal, no norte do Piauí. Os animais foram emprestados pela Polícia Militar do Paraná e os trabalhos começam neste fim de semana. Segundo o tenente-coronel Sidney Pires, do 2º Batalhão da PM no Piauí, os cães vão percorrer o leito do rio por onde a água passou. Estão desaparecidas duas meninas. Uma delas é um bebê, de apenas 1 ano e 3 meses. A outra tem 9 anos.- O trabalho é muito difícil, mas não perdemos a esperança de encontrar os corpos. A água deixou um rastro enorme de lama e galhos de árvores - disse Pires.A barragem cedeu no dia 27 de maio, deixando nove mortos e 80 feridos. Sete corpos foram localizados até agora. As inundações percorreram mais de 80 quilômetros e atingiram 14 povoados. Segundo a Defesa Civil, 2 mil pessoas ficaram desabrigadas. Os desalojados chegam a quase mil. Os desalojados, que foram inicialmente levados para escolas, estão agora sendo transferidos para abrigos. Soldados do Exército utilizam um helicóptero da Força Aérea para distribuir cestas de alimentos nos dois povoados (Angico Branco e Boiaba) que ainda estão com o acesso bloqueado.A assessoria de imprensa do governo do Piauí disse que a Polícia Rodoviária Federal deve liberar até amanhã todo o trecho da BR 343, entre Parnaíba e Buriti dos Lopes, destruído pelas águas. Cabeceiras de pontes a apenas 5 quilômetros do centro de Buriti foram destruídas com o transbordamento do Rio Pirangi. Nesta sexta-feira, os veículos que estão estacionados dos dois lados do rio poderão passar em dois períodos curtos, no início da tarde e à noite. A estrada teve de ser bloqueada no dia seguinte ao rompimento da barragem por conta do imenso volume de água do rio.Segundo o governo do estado, há expectativa que as casas destruídas sejam reconstruídas até o fim do ano. O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), já foi à Brasília apresentar à Secretaria Nacional da Defesa Civil um relatório sobre a área. Ele preparou uma lista do que é preciso fazer para a reconstrução da região. Dias já se reuniu também com todos os prefeitos da região atingida pelas águas. Segundo o governo, dez milhões de metros cúbicos de água escaparam instantaneamente por um rombo de quatro metros na parede da barragem, formando uma onda com dez metros de altura. Outros 40 milhões de metros cúbicos escorreram devagar pela abertura.O governo foi informado sobre fissuras na parede da barragem um mês antes do acidente. Um serviço de contenção para tampar as rachaduras chegou a ser feito. As famílias que moravam no local foram retiradas, mas acabaram voltando para as suas casas depois que a chuva diminuiu. Os Ministérios Públicos Federal e Estadual estão investigando se há responsáveis pelo acidente
Fonte: Da redação