Um besouro da espécie Rhinchophorus palmarum vem destruindo as plantações de coco na região de Santa Filomena, no sudoeste do Piauí. Inúmeros insetos posam e atacam os coqueiros existentes nos quintais que não suportam e morrem em poucos dias.Denominada "Broca-do-olho" ou "Bicudo", a praga se apresenta como uma séria ameaça aos quintais agroflorestais da região, que nada mais são do que associações de coqueiros com outras espécies florestais, medicinais, ornamentais e animais, quase sempre ao redor das residências, com o objetivo de fornecer várias formas de bens e serviços.Esses quintais têm importância na ecologia, na segurança alimentar e na fonte de renda para muitas famílias. Neles não se verifica problemas de erosão, pois o solo está sempre coberto por folhas caídas das plantas.Segundo alguns estudos, os quintais podem produzir até 44% das necessidades de caloria da família, 32% de proteínas e 20 a 30% de sua renda anual, disponibilizando ainda a quantidade necessária de vitamina C que as pessoas necessitavam.Broca-do-olho ou bicudo - Os adultos são besouros negro-aveludados, de grande tamanho, variando entre 46 a 50 mm de comprimento, "bico" longo e levemente recurvado e antenas em forma de cotovelo.Os machos possuem cerdas rígidas, em forma de escova, na parte superior do bico, diferindo das fêmeas, onde o bico é liso e mais afilado.As posturas são efetuadas nas partes tenras das palmeiras (olho ou gema apical) ou em ferimentos pré-existentes, numa média de 250 ovos por fêmea.A larva não possui pernas (ápoda) e é de tamanho bastante avantajado em sua fase final de crescimento, chegando aos 75 mm de comprimento, possuindo corpo robusto, branco-amarelado, com cabeça bem desenvolvida e de coloração alaranjada.Seu ciclo de vida é relativamente longo, sendo a média de 3 a 4 dias para ovo, 50 a 70 dias para larva, 24 dias para a pupa e 45 a 128 dias para adulto. Portanto, as larvas permanecem nas palmeiras mortas por um longo período, até a eclosão da fase adulta desde que haja quantidade de alimento e umidade suficientes.Consomem os tecidos sadios, fazendo galerias e deixando, no interior do estipe, uma coloração avermelhada característica, devido provavelmente à ação de bactérias e fungos decompositores presentes nas fezes e restos de tecidos fermentados.Os sintomas mais evidentes do ataque da praga são o amarelecimento e murcha de folhas, tombamento e morte da planta.Próximo à pupação, a larva constrói, dentro do estipe, um casulo feito com as fibras da planta hospedeira. A praga é um inseto de hábito diurno e pode ser encontrada em todas as fases de desenvolvimento durante todo o ano.O coqueiro e outras palmeiras como o dendê, durante o corte da folha e da colheita, liberam cheiro característico que atrai o besouro. No coqueiro doente as folhas murcham, amarelecem e os folíolos secam.Com o avanço da doença, as folhas mais velhas ficam penduradas e presas. As folhas mais novas permanecem eretas formando um tufo. As plantas mortas ficam totalmente desfolhadas, podendo ocorrer a queda dos frutos.As palmeiras mortas, estando tombadas ou eretas em seu lugar de cultivo ou exposição, devem ser queimadas e enterradas, evitando-se assim novos focos de criação.Combate - Com o uso de uma armadilha confeccionada com um balde de plástico com tampa reta ou levemente côncava e capacidade para 50 e até 100 litros. Na tampa do balde é necessária a abertura de 3 ou 4 furos de aproximadamente 6 cm de diâmetro, equidistantes entre si.Em cada furo coloca-se um funil: a extremidade mais aberta é presa nas bordas do orifício. No interior do balde devem ser postos 30 a 40 toletes de cana-de-açucar amassados, visando maior rapidez no processo de fermentação da cana.De 15 em 15 dias os toletes de cana precisam ser trocados e, os insetos coletados, retirados do balde e mortos manualmente.
Fonte: Da redação